sábado, 21 de dezembro de 2013

O QUE A ESCOLA ENSINA


É engraçado como a escola valoriza uns negócios sem sentido. Ano passado vi na escola que trabalho alguns alunos serem reprovados porque não aprenderam a calcular massa atômica, mas nunca descobri para que isso serve em nossa vida. Daí, fico pensando que ensinamos aos alunos um monte de conteúdos insignificantes para a vida prática, que esses conteúdos não demonstram quem é bom, mas quem tem mais facilidade de aprender o que não se precisa saber.

Dizem que o aluno nas séries iniciais e finais deve aprender o que é significativo para ele, mas desde quando o relevo da europa, os meridianos, as orações coordenadas adversativas ou a função de um número é significativo para alguém de 13 anos?!

Penso que boa parte do que se aborda em salas de aula só serve para estressar alunos e professores. Não me lembro de momento algum em minha vida em que precisei saber a raiz quadrada de um número, também não precisei saber nada de fuso horário nas viagens ao exterior, tão pouco como são formados os vírus quando o que interessava era o remédio capaz de acabar com minhas dores.

Sei que isso tudo é necessário para que a vida no planeta terra continue existindo, mas tem coisas que só deviam ser estudadas quando necessário para se especializar em alguma área do conhecimento, aí sim, seria significativo.

Estudei na faculdade de Direito por cinco anos e pouco usei dos conteúdos aprendidos nas escolas primárias. Li, escrevi e interpretei enquanto percebia que muitos dos colegas universitários tinham dificuldade exatamente nessas habilidades. Ri muitas vezes dos que se perdiam nos X, V e L dos números romanos, se não me falha a memória acho que foi a única coisa da temível matemática que precisei no curso superior.

Com relação à história e geografia nada de clima, relevo, guerras ou coisas parecidas, porque sob a visão jurídica todas as histórias são recontadas, tudo com um novo início e novo fim, até mesmo o conto de fadas da Cinderela.

Nas dificuldades do curso por diversas vezes pensei em dar carteirada nos professores, esfregar na cara deles meus boletins cheio de menções honrosas com notas 10, mas como isso me punha em risco por desacatar autoridades do saber capazes de aí fazerem valer cobrar o saber, processando-me em esferas cíveis que seriam capazes de me tirar belos meses de salário e isso seria aprender o conteúdo da escola na prática.

A verdade é que a história do que é significativo pode levar uma pessoa a ter que cursar a mesma matéria por diversas vezes, pois se o professor explica algo e isso te remete a outro caminho muito além do que o professor aborda ou mesmo te abre outros assuntos que você resolve já ir devaneando para sua tese final de curso, você pode perder o ponto que o professor julga importante para a prova e aí desfrutar a companhia dele por mais um semestre repetindo os mesmos assuntos e agora pelo menos fica fácil saber quais ideias ele pondera para dar uma nota ao aprendizado que ele julga importante para mim.

A verdade é que a faculdade me cobrou muito mais do que a escola tinha me ensinando; Me perdi no trânsito da cidade procurando os TRT, TSE, TJ e tantos outros órgãos públicos o que me remeteu ao conteúdo da 3ª série que estuda sobre o DF, mas ninguém nunca me ensinou sobre como me locomover no lugar onde moro; Escrevi em um único semestre mais textos do que a somatória de uns 10 anos de escola primária, boa parte se deu porque descobri que não sabia escrever ideias, ao menos sabia pensar, apenas tinham me ensinado a decorar papeis com palavras ensaiadas.

Mas, a escola é isso né?! 100% importante quando você vai usar aproximadamente 15% do que te ensinaram, mas dará base para criarmos novos paralelos, coordenar objetivos, traçar retas, descobrir novos pontos, vencer os altos e baixos dos terrenos acidentados do mundo.

Ainda bem que além da escola inventaram os estágios e a vida prática profissional, porque aí podemos usar os 15% que aprendemos na escola para aprender os 85% que ficou em dívida e que corresponde ao que realmente é significativo.

Quando assinei a ata de aprovação na Ordem nos advogados, a famosa OAB, entrei em pânico... será que alguém podia me ensinar como advogar, porque isso não aprendi, acho que ficou nos 85% que a escola chama de significativo, mas esquece de ensinar.

Com frio na barriga, dei partida no carro e saí pensando no que deveria fazer agora, se me matricular em outro escola ou ser auto-ditada no conhecimento prático exigido pela vida! Pelo menos a escola me deu uma boa base para aprender o resto que é necessário e significativo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

RELAXOS CORPORAIS




Muitas pessoas se preocupam muito com as roupas íntimas. Eu confesso que adoro uma calcinha folgada, vulgo relaxada. Gosto da ideia de me sentir livre, sem que tenha algo prendendo minhas nádegas.
Tenho uma amiga que sempre diz que andar de calcinha relaxada é um risco.  Ela sempre argumenta que a qualquer hora pode acontecer um acidente conosco e daí se tivermos com uma calcinha velha os médicos falarão de nós. Ri muito a primeira vez que ouvi, pois nunca tinha pensando nisso. Sempre achei que aquela coisa nem era considerada quando a preocupação é salvar vida, mas confesso que fazia sentido. O socorrista poderia ser um médico ligado aos detalhes e por isso poderia ficar tão chocado com o estado das roupas íntimas que esqueceria de prestar socorro.
Fiquei imbuída naquele pensamento e não tive como deixar de contar para ela qual era a minha preocupação com relação ao assunto, que, a meu ver parecia, mais grave. Por diversas vezes, pensei na condição das pessoas que sofrem um acidente, com especial as mulheres, e que não estão com a depilação em dia. Imagina que se depois que o médico cortasse aquela lingerie linda, vermelha e novinha e se deparasse com um enorme tufo de pelos pubianos?! Aí sim, não tenho que dúvidas isso chamaria a atenção dos médicos. Acredito até que ele chame os colegas para dar uma olhada; Pior que isso é o médico chamar a enfermeira e dizer para ela cortar a cabeleira black power entre as pernas porque se não fica impossível executar qualquer procedimento médico. Esse é o momento que se você não está desacordada, tem uma parada cardíaca, ou melhor, pelo menos umas três, uma seguida da outra.
Agora foi a vez de a minha amiga ficar mais intrigada do que eu. Aproveitando que o jogo passou a ficar a meu favor, resolvi partir para o ataque e mostrar a ela outras situações em que usar uma calcinha um pouco folgadinha é um luxo que todos deveriam adotar para salvar o planeta.
Os odores causam uma preocupação muito maior do que essa coisa de pessoas maltrapilhas. Imagina o mesmo acidente com aquela famosa lingerie?! E quando os enfermeiros vão socorrer a pessoa, e tira toda a roupa dela, vai subindo aquele mal cheiro a ponto dele apertar o botão vermelho da emergência desesperado e pedir três balões de oxigênio por telefone. Provavelmente, a pessoa do outro lado da linha ficará desesperada e quase gritando perguntando o porquê dos três tubos, se na sala de cirurgia só tem um paciente. E então, o médico, com aquela voz estranha de quem fala sem querer respirar, responde que não é para a paciente, mas para a equipe médica que está ficando sufocando e que se demorarem quando chegarem lá, terão quatro pessoas a serem socorridas ao invés de uma. Se o médico sobreviver a essa tortura odorífera, imagina a cara dele no dia seguinte quando for ver a paciente no quarto de recuperação! Rolo no chão de rir só de imaginar e fico pensando o médico contando aos colegas que irá visitar a cheirosa.  
Minha amiga, que despreza as calcinhas com furinhos na costura lateral, foi fazendo uma cara horrível no decorrer da situação que eu expunha para ela. Percebi que ela já estava quase entregando o jogo e que com mais uma situação ela arriara e eu ganharia o jogo com um belo placar.
Então, olha essa possibilidade: um bombeiro socorrer uma tenista de fim de semana com a meia furada, com certeza pode fazê-lo tirar umas boas gargalhadas da garota atleta; Mas, tirar o tênis de uma princesa tenista que torceu o pé depois de uma hora jogando e que tem muito chulé, pode transformar o trabalho simples em algo árduo e fedorento. Isso é mais que pagar um mico!
Esse foi o gol de placa. Minha amiga agora estava em desespero. Só não sei dizer se era porque reconhecia que meus argumentos eram bons ou se ela estava preocupada com seus odores ou depilação; Melhor nem tentar adivinhar que é para não colocar a amizade em risco, mas ousei perguntar para ela se dos relaxos da vida, o da calcinha não podia ser o menos agressivo ao mundo?!
Luciane Dias
Set/2013


terça-feira, 9 de julho de 2013

VASO SANITÁRIO CAUSA BULLYNG

asnovidades.com.br


Muitos usam o banheiro como um espaço de diversão, leem, fazem cruzadinhas, jogam no celular ou algo parecido. Também deve ter algum doido que escreva, eu particularmente dispenso a deixa. Acho que lá é o espaço que a gente chega faz o que se tem para fazer e sai correndo, principalmente, dependendo do que vai fazer, se for "tipo 1" é rápido mesmo, então não dá para ficar enrolando sentado no vaso sanitário, agora se for "tipo 2", bom, aí para alguns pode ser um tempo vasto para por em dias os passatempos atrasados.

Eu vi em uma reportagem que os vírus saltam metros de altura do vaso sanitário na hora da descarga, daí você logo pensa:  aquela pessoa sai do banheiro com o celular que estava jogando enquanto fazia o "tipo 2" e te empresta para você fazer uma ligação, a situação não parece muito divertida, então abro mão dessas aventuras sanitárias. Para os que estão se perguntando o que é "tipo 1" é a forma tímida de dizer fazer xixi, urinar, tirar água do joelho e daí já dá para imaginar que o que é o "tipo 2" - é a parte sólida expelida pelo corpo, apelidado de cocô, cagada, bosta, essas coisas que todos tem vergonha de dizer que fazem, mas todos se entregam em um prazer quase orgásmico quando defecam.

Em um devaneio rápido, enquanto eu expelia a parte sólida que o corpo libera após a alimentação, me dei conta que o vaso sanitário é um objeto praticamente de tamanho único e que isso pode pôr algumas pessoas em uma situação vexatória.
Na era do bulling e do respeito às diferenças, a sociedade tem mudado regras e padrões para acomodar melhor as pessoas nas coisas da vida diária, sem que suas diferenças sejam destacadas a ponto de expô-las.

Fico pensando em uma pessoa com 1,92m de altura, deve ser bem engraçado ela sentada na privada. Esse nome não é chique e nem elegante, ao contrário, nos remete ao defecar e daí já fazemos aquela cara de nojo, mas estranha é a cena, deve sobrar pernas para todos os lados do banheiro e se o banheiro for pequeno, daqueles que de tão pequeno o chuveiro fica quase acima do sanitário, a pessoa vai ficar com as pernas tão dobradas que parecerá um movimento grupado da ginástica artística. Já os que estão em sobrepeso podem apresentar dificuldades com o tamanho da área do assento e algum colega piadista poderia dizer que houve mudança no ditado popular de "mijar fora do penico", para "cagar fora do vaso". Agora serão os leitores mais tímidos a olharem com nojo para meu texto que fala em "cagar". Tem também os bem baixinhos, esses teriam enorme dificuldade para sentar no vaso sanitário, é o que acontece com as crianças.

Você então deve estar pensando que um vaso sobre medida traria os mesmos problemas, porque ninguém mais usaria o vaso destinado a uma pessoa de 1,92m de altura além dele próprio, por isso o ideal é um vaso regulável. A pessoa poderia regular a altura e o diâmetro do assento. Pronto estaria resolvido o problema, ninguém mais seria posto em situação com as calças na mão, porque a privada não se adéqua as suas características físicas. Isso para os advogados seria como atender ao artigo 5º da Constituição Federal, em que estaria tratando "os iguais nas suas igualdades e seus desiguais na suas desigualdades na medida das desigualdades".

A preocupação passaria ser a tecnologia empregada na construção desses vasos reguláveis. O Japão desenvolveria algo em que uma câmera na porta do banheiro leria as informações da pessoa e já regularia tudo automaticamente; em compensação no Brasil seria uma tecnologia com engenhocas a base de manivelas, o que colocaria a saúde em risco, mais uma coisa para distribuir bactérias pelos celulares, gibis, revistas pornôs, cruzadinhas; Já os Estados Unidos pegariam a ideia do Japão colocariam uns dois botões dariam um nome chique, faria uma boa propaganda em um lindo WC (water closet - que em uma tradução literal seria algo como armário da água) e todo o resto do mundo acataria a ideia e mesmo que não conseguisse produzir o vaso sanitário sonhado adotaria o nome toilet sanitary adjustable.

Se fosse eu a dona da indústria de vasos ainda daria uma incrementada nos modelos. Nunca entendi porque os vasos sanitários têm os mesmos padrões redondos ou algo meio retangular, porque nunca fez um em forma de carro, de bike, bola de futebol, poltrona do papai com massagem, sofazinho confortável. Eu gosto de fotografar, mas achei que seria estranho você ter uma lente apontado para as nádegas. Enfim, algo criativo em que cada um escolheria seu toilet sanitary adjustable e você que modelo escolheria?

Espero que essa mudança não demore, afinal, já estão mudando as poltronas dos cinemas, ônibus, aviões, vagas de concursos, então espero que em pouco tempo esqueçam os preconceitos tidos com os banheiros e pensem nos sanitários, porque nada pode ser mais fétido do que os tratamentos desiguais impostos por nossa sociedade.

 
Luciane Dias
06/07/2013
 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

MEU AMIGO CARRO


Ter carro é um negócio legal e praticamente todo mundo tem. As facilidades da economia brasileira permitem a todos comprarem o tão sonhado automóvel, nem que seja em 60 vezes. Como diz uma colega de trabalho, é uma verdadeira bíblia de prestações que vai do antigo ao novo testamento e o brasileiro não se incomoda com isso; se for para ter um carro que possa levá-lo onde desejar ir, vale o tamanho e o tempo da dívida.

A realidade é que o brasileiro está tendo a oportunidade de juntar dois desejos: ter carro e ter vida de conforto. Assim, cada vez mais compram carros da classe luxo, que oferecem aquele tanto de opcionais que às vezes o dono nem sabe para que servem, mas ele quer ter um desses da moda. É tipo assim: ter um carro desses que qualquer um há 5 anos respirava só de vê-lo por perto, de tão lindo - digo há 5 anos porque atualmente muita gente tem os carrões caros e muitos até de marcas importadas.

Só que tem gente que exagera nisso tudo, porque, na verdade, o que a pessoa tem é um carro e não uma Ferrari, ou seja, um carro que ninguém mais pode ter. Mas, há pessoas que tratam o carrão importado como se ele fosse um troféu que ninguém mais pode ter igual.

A Patrícia tem um Civic que eu não sei que ano é, mas ele já deve ter uns 3 anos e ela fala desse carro de uma forma diferente. Toda vez que ela precisa fazer uma referência ao automóvel é assim: "porque meu Civic é o carro mais legal"; "porque ontem eu fui ao aeroporto e eu estava de Civic". Eu sempre achei isso engraçado, porque todos que vão se referir aos seus automóveis sempre os chamam simplesmente de carro, ninguém fica falando se é um gol, um fusca, uma carroça, um corsa. Então fiquei pensando que, qualquer dia, quando ela me contar alguma coisa do carro dela como se ela estivesse contando sobre um filho ou como se o carro dela fosse uma Ferrari que eu sonhasse ter, eu daria um jeito de falar do meu carro para ela: "Pois é, menina, e eu ontem fui a padaria no meu corsa hatch 1.4, com 95 cavalos, roda aro 14, ano 2008" e veria a reação dela...

Mas, um dia desses estava na escola indo para minha sala de aula quando a Patrícia me parou no meio do corredor chorando: "Luciane bati meu Civic, eu o bati num carro grande de um homem que vinha de Padre Bernardo". Gente, nessa hora eu não sabia o que fazer, não sabia se perguntava se ela estava bem ou se o carro machucou! Quer dizer: ele nem é gente né?! Mas, daí ela enxugou as lágrimas e continuou: "Não aconteceu nada com o carro do cara, porque ele era altão, mas o meu acabou e eu, graças a Deus, não tive nada". Opa, agora sim, eu começo a entender a história, porque se ela não teve nada, então estava chorando porque o carro tinha acabado e isso estava machucando muito ela. Eu entendia isso porque sempre a via falar do carro como se fala de alguém da família, alguém mais próximo do que os primos de terceiro grau que toda mãe jura que temos e que o código civil não reconhece. Daí, perguntei para ela se o carro tinha seguro porque, se tivesse não tinha com o quê se preocupar, afinal o seguro cobriria todos os gastos e deixaria o famoso Civic inteirinho de novo. Ela, enxugando as lágrimas, me disse: "Sim, o carro tem seguro e meu marido já ligou para acionar; também, o carro só estragou no para-choque eu até saí dirigindo. Enquanto o carro fica na oficina para arrumar eu vou ficar vindo trabalhar no carro velho que tem lá em casa e eu só estou chorando por causa do susto da batida. Ela aconteceu bem na hora que fui passar no quebra-mola, eu freei pouco e acabei batendo no carro que estava a minha frente". Essa era a triste história que cercava a vida do Civic, mas eu não podia ficar ali ouvindo mais, então me despedi e fui para minha sala de aula confusa com a situação toda, são sabia se o problema maior era a batida no carro ou a colega ter que ficar alguns dias sem poder ter a posse do Civic!


Luciane Dias dez/2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

VINGANÇA FRUTÍFERA

Não sou muito de comer frutas, mas de tanto minha mãe e as minhas calças jeans, que a cada dia ficam mais apertadas, me cobrarem esse hábito, tenho procurado uma vez ou outra comer um morango, uma banana ou mesmo uma uva. Hoje senti uma enorme vontade de comer uvas e achei ótimo que o desejo tenha sido exatamente numa quarta-feira, porque é o dia que tem promoção de frutas no mercado perto da minha humilde residência.

Fui toda animada para o mercado para comprar o objeto de meu desejo. Quando cheguei lá vi que tinha algumas promoções que eu não podia dispensar. Entre uma prateleira e outra, em busca dos preços bons, avistei alguns conhecidos que não tive como não cumprimentá-los com um abraço e um olá, (falar com os amigos é tão bom quanto é comer, e comer a uva eu sabia que não tinha erro, mais cedo ou mais tarde eu iria para casa com ela, sentaria no sofá para assistir TV e me deliciaria com aqueles cachinhos verdes - opto pelas verdes para manter a esperança de que essa atitude saudável ainda possa me render alguns gramas a menos na balança, e quem sabe, um centímetro sobrando nas minhas calças jeans, para que eu possa respirar com mais tranqüilidade, daí tudo ficaria perfeito).

Estando no setor das frutas avistei as mangas e, apesar de não gostar muito de manga, aquelas pareciam ótimas. Peguei em algumas até escolher uma. Nem sei bem ao certo como escolher frutas porque elas nos enganam; vejam bem, as mangas por exemplo, às vezes parecem lindas e quando você corta estão estragadas; as melancias, quando cortadas estão sem doce ou estragada, os abacaxis azedos, os melões sem gosto, as mexericas secas e por aí vai. Algumas pessoas dizem que têm algumas técnicas, mas como nunca vi um artigo científico sobre isso ou mesmo alguma recomendação do INMETRO, então acho que essas técnicas não são nem 75% garantidas. Deve ser mais uma dessas crendices populares, porque o que vale mesmo é a sorte. Até fiquei pensando sobre isso e acho que alguém deveria inventar uma máquina para fazer uma ressonância magnética frutífera, assim ninguém ficaria frustrado com as frutas compradas.

Quando cheguei em casa sentei ansiosa para desfrutar daquela maravilhosa manga e na primeira facada para descascá-la, a fruta estava pálida, sem graça, meio verde. Mas podia ser que a aparência enganasse; para saber a verdade teria que comer e na primeira mordida a constatação: frustração geral, pois também estava sem gosto.

Como eu não desisto fácil de uma comida, decidi persistir na comilança. Depois de umas poucas mordidas acabei me engasgando com um pedaço da tal manga. Entao, comecei a achar que havia um complô contra o meu desejo de vida saudável regrada a frutas: "já que a fruta não estava gostosa será que eu não podia pelo menos comê-la sem ter a sensação aterrorizante de que corria mais risco em comer um pedaço de manga do que em andar no meu velho carango a 160km/h?"

E foi entre uma tosse e outra, andando pela casa para tentar me aliviar por completo do pedaço de manga assassino que me lembrei que, na verdade, eu tinha ido ao mercado para comprar uvas. Será o quê que tinha acontecido com as uvas verdes, aquelas que eu ansiava comprar?! Junto com minha pergunta veio também a resposta para aquilo tudo; acho que foi a uva que resolveu se vingar de mim, porque eu a esqueci no mercado, porque eu fui lá para que ela deixasse de ser uma uva abandonada e passasse a ter um lar, guardada numa vasilha depois de bem lavada só esperando para ser comida. Plantei na dona uva verde a esperança e depois a abandonei. Isso de realmente não se faz, mas também não precisava ela me convencer a comer manga, que nem gosto muito, e ainda quase me matar engasgada. Assim, vou passar a acreditar que além das frutas nos enganarem tendo cara boa e gosto ruim, elas podem ser vingativas e, desse modo, nem minha mãe vai me convencer a comê-las e nem eu vou querer perder peso comendo-as. Não valerá o risco! É melhor comprar calças novas, porque elas não vão querer se vingar de mim.

Luciane Dias
09/12

terça-feira, 18 de setembro de 2012

PROMESSAS DE FIM DE ANO


        Dizem que brasileiros vivem de promessas e eu como não gosto de negar minha "raça", então, também sigo esse padrão. Na última virada de ano, entre dezembro e janeiro, fiz várias promessas e seguindo algumas dicas que vi em programas de televisão, como escrever objetivos gerais e outros mais específicos, escrevi todos em uma velha agenda. Dessa vez foi com a fé que eu precisaria para ter a determinação para pôr todos em prática, independente da dificuldade e da importância eu apostaria toda minha audácia para vê- los caminhando rumo à realização.

       Para tudo isso ser um compromisso selado, eu publiquei meus intentos para 2012 em uma rede social. Li em um livro, acho que foi "O monge que vendeu sua Ferrari" - que isso é bom, porque as pessoas se comprometem junto com a gente e passam a nos cobrar e isso, por consequência impulsiona-nos a tentar pôr em prática os compromissos assumidos publicamente.

        Eu realmente comecei a correr atrás de alguns objetivos, voltei a escrever, a ler alguns livros que já estavam guardados há muito tempo, me inscrevi em um curso que queria fazer há algum tempo e tudo isso embalada pelas cobranças virtuais de meus amigos que se comprometeram comigo. Mas eis que o tempo vai passando e, como dizem, "tudo caí no esquecimento"; se o "tempo apaga até feridas", imagina minhas promessas.

        Cada vez que encontrava minha velha agenda com os objetivos: anotados eu a guardava em um outro lugar. Acho até que eu procurava um lugar mais difícil de encontrá-la, porque, assim, eu não teria que encarar a ideia analítica de estar ou não correndo atrás de realizar meus objetivos. Lembro-me tê-la procurado-a por duas ou três vezes, quando bate aquela tristeza repentina, aquele pensamento de que a vida anda sem sentido e eu igual, louca, ficava procurando-a pelas gavetas para dar uma lida e me re-comprometer - acho que isso é um neologismo; nunca vi ou ouvi essa palavra. Então, o sentimento é o de que reler aquilo poderia dar uma nova ênfase na vida no dia seguinte, como também fazer ver que a vida é boa e que eu tenho feito algo por ela já que alguns objetivos tinham sido realizados. Os sentimentos daí por diante são tantos que merecem um texto só para eles, então voltemos ao que interessa.

       Já em meados de agosto, em um dia que estava gozando de pleno esquecimento sobre essas coisas de ficar prometendo ou mesmo sem querer achar que eu preciso ter ou não objetivos na vida, estava conversando com uma amiga pelo chat de uma dessas redes sociais, quando digo para ela que ando muito à-toa, gastando muito tempo com as bobeiras virtuais. E o que leio logo em seguida: o comentário da minha amiga "Pior é que você nem cumpriu suas promessas". Na hora eu sorri e concordei, mas sabia que isso era mais grave, porque o que li no livro sobre as pessoas se comprometem com a gente, era verdade, mas, no meu caso, parece que se comprometeram mais que eu mesma. Minha amiga conhece a dimensão do meu comprometimento e, como convive comigo, pelo seu comentário percebi isso: eu não consegui pôr muita coisa para acontecer de verdade; a determinação e a fé ficaram grudadas nas palavras em alguma folha de papel envelhecida!

        Será que se eu publicar na rede social uma enquete perguntando quem se lembra dos meus objetivos verei que fui uma farsa nesse ano? Que convidei todos os amigos para a festa da realização pessoal, deixei todos esperarem e eu mesma sumi e fui levar a vida numa boa, de uma forma bem tranquila e sem responsabilidades com promessas?!!! Agora tudo poderia ser dúvida e sofrimento, se ela mesma, a minha amiga Ana Claudia, não tivesse me apresentando a solução: - Esqueça tudo e passe a programar suas promessas para 2014, porque o fim do ano está aí. Só me restou, então, sorrir e concluir que esse negócio de comprometer e publicar pode ser legal mesmo, porque daí os amigos nos cobram, mas nos apresentam soluções e nos perdoam por não concretizar os objetivos de forma mais fácil e gentil do que nós mesmos somos capazes de fazer. Só por isso já vale a pena.

Luciane Dias/2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

PRÉ- CONCEITO

        Temos visto muitos debates sobre preconceito. É possível achar inúmeros artigos, textos, blogs sobre o assunto e na verdade quase que 100% deles defendendo o fim do preconceito independente de qual seja. Hoje a sociedade tenta combater o mal que ela mesma plantou, e nós a cada dia mais nos declaramos antipreconceituosos até mesmo porque isto dá um certo status e evita que outros nos recriminem. Mas aceitar as desigualdades e colocá-las todas a pé de aceitabilidade é um papel difícil, principalmente porque alguns conceitos não nos foram apenas ensinados, parece muito mais que foram tatuados em cada um de nós e alguns deles com mais tinta, com mais força e em tamanhos maiores, evitando assim que o tempo ou qualquer laser apague. Para extinguir o preconceito, não basta dizer que esta atitude é intolerável no século XXI, fazer palestras, criar leis que proíbam, que incentivem inclusões, participações, com certa franqueza, não sei dizer qual a receita, mas acredito que isto seja um processo lento e que a saída não seja bem tentar impor um novo conceito dizendo que não é porque a pessoa é negra, homossexual, roqueira, se veste desta ou daquela forma, que ela não é do bem, tem problemas ou algo assim. É preciso desconstruir uma idéia que já foi absorvida por nós como verdade suprema algo que nos foi impingido.

        Sinto tudo isto quando me deparo com algumas situações, declaro-me antipreconceituosa e capaz de entender as diferentes escolhas, as diferenças das pessoas e até uma pessoa moderninha; moderninha é igual pessoa que aceita todas as escolhas da vida moderna, mas algumas das minhas atitudes contradizem o que minha boca grita, o que meus lábios proferem e o que meu lápis divulga. A última destas atitudes aconteceu outro dia na Casa de Deus. Fui a uma igreja de romaria e estava sentada esperando a missa começar, quando percebi a dois bancos à frente do que eu estava, um casal com um filho e uma senhora, mas não era qualquer casal. Era um homem de cabelo "moicano", com várias tatuagens pelo braço, vestido de calça jeans, blusa e tênis pretos, que mesmo dentro da igreja mantinha os óculos escuros no rosto e usava brincos e argolas na orelha; a mulher não divergia dessas características, também estava de preto, cabelos curtos, tatuagem nas costas e brinco no nariz; o rapazinho devia ter uns 9 anos e tinha um corte de cabelo diferente e todo espetado, brinquinho na orelha e também vestia uma blusa preta, enquanto a senhora era somente uma senhora em oração. Vendo aquela cena, o preconceito deu um tiro de largada dentro de mim e comecei a construir meu pensamento: "esse tipo de pessoa não assiste missa; o que estariam fazendo ali aquelas pessoas, só se estivessem acompanhando aquela senhora, não era condizente o tipo de pessoa com fé a ponto de fazer parte de qualquer manifestação religiosa e de romaria. Será que estariam ali só porque fizeram algum tipo de promessa? Será que aquela família não fazia parte de outros rituais?" Sei lá quantas perguntas me fiz sobre a presença daquelas pessoas num tempo religioso. No fundo, confesso que eram mais que perguntas, porque algumas delas eu parecia responder e, assim, meu preconceito foi tomando conta de mim a ponto de ficar minutos analisando o comportamento deles e por diversas vezes durante a missa detive minha atenção naquele banco fazendo novas perguntas e reconstruindo meu pré-conceito.

        Não sei se tive um pré conceito ou um preconceito sobre aquelas pessoas. Quero acreditar que tive um pré-conceito, pois eu não os conhecia, não sei do caráter deles, não sei como aquela família se estabelece entre eles mesmos, da fé que os cercam. Entã,o pelo estereotipo, eu criei um conceito antecipado que foi se diluindo durante a missa, quando eu percebi que eles eram fiéis de Deus e que estavam ali por eles mesmos, que participaram da missa muito mais que eu, comungaram, cantaram, fizeram todas as orações, mostraram a religiosidade independentemente da senhora, que agora mais do que nunca era só uma senhora que assistia à missa. No término da missa, achei que os conhecia pelo menos um pouquinho e que não tinha nada contra eles. De repente, adoraria ter pessoas que se vestiam diferente como amigos e com certeza, eles poderiam me ensinar muito mais coisas do que aprendi com eles naquele dia. Sim, porque eles me ensinaram muito mais que as palestras que já vi, os textos que li, e as leis que me obrigam a acabar com o preconceito. Saí da missa muito mais estereotipada como preconceituosa do que eles como pessoas diferentes.

Luciane Dias
jul/2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

CANTIGA DE RODA

       Os direitos de proteção ao meio ambiente e aos animais invadiram todos os setores da sociedade, alguns que a gente nem imagina e se a gente não se atualiza acaba passando por situações vexatórias. Foi o que aconteceu comigo.

       Estava com minha sobrinha de dois anos e meio brincando, quando ela me deu as mãozinhas e começou a dizer algo como 'o gato comeu, miau'. Eu, como uma supertia, identifiquei logo a brincadeira que ela queria, então, de mãos dadas comecei a cantar para ela a música que já existe há milhões de anos: "Atirei o pau no gato tô tô, mas o gato tô tô, não morreu reu reu; dona Chica cá cá, admirou-se se, do berro, do berro que o gato deu, miau !!!"

       Meu sobrinho mais velho ficou por alguns segundos olhando aquela cena quase que embasbacado, cheguei a me sentir meio ridícula; estaria ele achando patética a cena de uma velha brincando de roda no meio da rua? Mas, de supetão, ele saiu do transe e veio correndo na minha direção e dizendo que a música não podia ser daquela forma. Então ele deu as mãos para mim e minha sobrinha e começou a cantar a música: "Não atire o pau no gato (to-to); porque isso (sso-sso); não se faz (faz-faz); o gatinho (nho-nho); é nosso amigo (go); não devemos, não devemos; maltratar os animais; miau!!!" Eu não estava acreditando naquilo e mesmo com a cara no chão pela vergonha pedi para que ele cantasse novamente para eu aprender.

       Gente, como assim? Mudaram a música, mas porque motivo será que fizeram isso?! Isso pode causar frustrações às minhas lembranças de criança e excluir a oportunidade de me enturmar com as crianças da presente geração!!! E agora? Quem protegerá minhas lembranças sem que elas se tornem um crime, quem protegerá o direito de pensar que uma criança é apenas uma criança e não um homicida em potencial, porque ouviu uma cantiga de roda?! Gente estão acabando com a inocência do mundo!!! Estão transformando o que é simples em resultados vindos da cabeça dos adultos!!!

       Mesmo meio indignada, resolvi fazer uma investigação rápida sobre o assunto para descobrir o motivo e constatei que a mudança realmente foi devido a letra da música, que teoricamente, incentivava a violência contra animais. Fiquei pensando que tipo de investigação fizeram para chegar a esta conclusão. Será que perdi a reportagem de algum matador em série que diz que começou carreira atirando o pau no gato, ou mesmo que algum matador de bichos tomou gosto depois que aprendeu na escola esta música e resolveu experimentar na vida real? Isso parece uma piada: atirar o pau no gato não quer dizer que acertou, que machucou o gato ou algo parecido. Mudar a música não diminuirá a violência no mundo, nem mesmo aquela contra os animais. Esta mudança não protege as crianças que são maltratadas a todo instante pelos pais, não diminui os abusos sexuais. Também não obriga o estado a trocar esta música por uma educação de qualidade, em que a criança tenha realmente a oportunidade de ter um bom futuro tanto na vida pessoal como na social, com meio ambiente preservado sem que desmatem todos os espaços verdes para construírem arranha-céus.

      Agora vou ficar esperando o momento em que vão mudar a música "Pai Abraão", dizendo que ela incentiva a procriação desordenada, o excesso de filhos em uma família e que é por isso que os homens de hoje tem filhos com mulheres diferentes. Só não sei se essa explicação parece lógica para este povo que muda a história da infância alheia achando que uma simples música é capaz de afetar o caráter de uma criança em formação.

Luciane Dias

quarta-feira, 18 de julho de 2012

JUNIM CRESCEU!!!



       Junim é meu vizinho, na verdade é Eduardo de Oliveira Junior, mas para nós que crescemos juntos basta, Junim. Hoje, não sei dizer a idade dele, deve ser algo entre 25 e 30, mas me lembro dele com uns 4 ou 5 anos, na verdade lembro-me dele e de outros vizinhos, época em que todos crianças brincávamos na rua. Passamos desta fase de brincadeira e hoje somos todos adultos, mas acho que eu esqueci de considerar que o fim das brincadeiras de criança era o fim de uma fase da vida.

       Um convite de casamento me alertou para este fato, Junim cresceu e vai casar!!! Mas, isto foi só um fato descrito num papel que eu li e deixei sobre a mesa. Só aceitei esta realidade quando no dia do casamento eu tirei o carro da garagem e vi a movimentação dos vizinhos para irem ao casamento do Eduardo de Oliveira Junior, o Junim crescido!

      Depois que o carro saiu totalmente da garagem pelo retrovisor vi nas calçadas os vizinhos bem vestidos, eufóricos organizando os últimos detalhes da roupa, tirando fotos, pondo os meninos no carro para não se atrasarem para o grande evento, ver o Junim dizer sim em público para a vida de adulto e pai de família. Uma calçada parecia ser mais especial, tinha muito mais pessoas e carros estacionados, era a da casa do noivo, entre várias pessoas parecia que uma brilhava mais, me pareceu ser a mãe do Eduardo Junior.

       Confesso que todo aquele agito mexeu comigo, não só me dei conta que meu vizinho cresceu e estava pronto para virar um pai de família, mas também enxerguei num dos meus retrovisores o passado, onde todos corriam como verdadeiros moleques pela rua, sem pensar que um dia teríamos a responsabilidade da vida adulta. Extasiada com aquilo tudo fiquei algum tempo com o carro parado no meio da rua, olhando pelos retrovisores, vendo a movimentação e ao mesmo tempo passeando entre as lembranças. A minha vida tinha sido simples e tinha se entrelaçado na vida daquelas pessoas por muitos momentos.

       Como um sonho louco comecei a imaginar todos na igreja, emocionadas com a importância de um enlace e me dei conta que apesar de só nos cumprimentarmos hoje em dia, tinha muito mais dos meus vizinhos em mim do que eu imaginava. Naquele momento, se pudesse, eu teria gritado convidando-os para brincarem de bandeirinha, como nos velhos tempos, e depois que nossos corpos estivessem cansados e o espírito sorridente pudéssemos sentar no meio fio, eu e meus vizinhos crianças, e desabafarmos os últimos 20 anos, falando dos casamentos feitos, desfeitos e sonhados, dos filhos, do emprego, das contas, das frustrações e alegrias, das perdas e ganhos, enfim do que a vida tinha nos transformado nestes últimos anos em que passamos a sermos apenas vizinhos.

      O barulho do carro ligado me acordou da torpidez, perpassei os olhos de um retrovisor ao outro, enxergando ali o futuro, Eduardo Oliveira Junior naquela rua brincando com seus filhos, e a mãe dele, que tanto nos vigiou da varanda da sua casa, agora estaria adulando os netos, feliz porque o Junim cresceu. Me despedindo daquela cena, acelerei o carro, aumentei o som e passei a admitir, aquela rua era a mesma desde que eu moro nela, 27 anos, mas a vizinhança tinha mudado porque o Junim cresceu, a irmã dele, a minha irmã, a vizinha do lado esquerdo, todos cresceram e eu também cresci.


Luciane Dias
Jul/2012







terça-feira, 3 de julho de 2012

ELE É BOM OU MAU ALUNO?!

     No mundo de hoje é difícil saber o que é certo e o que é errado, isto porque pelo dito popular hoje tudo é permitido. Em um parecer, um jurista diria que tudo é permitido, mas nem tudo é lícito. Um evangelizador diria que tudo é permitido, mas nem tudo é cristão. Um médico diria que tudo é permitido, mas nem tudo é saudável, assim para cada situação desencadeia um pensamento acerca do que pode e do que não pode ser correto. Mas, uma coisa é certa, os parâmetros tem se modificado junto com a cultura, a educação, os princípios morais, religiosos e sociais.

     Eu consigo perceber isso de vez em quando na escola que trabalho. Tem sempre aqueles alunos que não fazem os deveres, que vão de roupa curta ou sem uniforme, que querem ficar pendurados no celular durante a aula, que gritam com os colegas e querem resolver tudo nos tapas, que não entregam as atividades, que desafiam os professores amassando as atividades, se negando a fazer os trabalhos e nós como professores quando vemos que mesmo depois de muita conversa não conseguimos fazer com que o aluno entenda que este comportamento não é apropriado dentro da escola, partimos para o último recurso que é chamar o responsável. Mandamos um bilhete e esperamos ansiosos pelo responsável no intuito que este nos ajude a fazer com que esse aluno aprenda algo, que se ele não levar a vida acadêmica a sério, que pelo menos consiga nota para ser aprovado no fim do ano. Por vezes, quando o responsável chega à escola nossa surpresa é muito maior do que aquela que nos ronda, porque o aluno não consegui assimilar depois de 5,6,7 anos na escola as regras que persistem em serem as mesmas ano após ano.

     Na presença do representante do aluno, eu, particularmente, me sinto como uma transgressora das regras pessoais da vida daquela criança/adolescente, me sinto desolada do mundo dela, como se eu estivesse fazendo tudo de errado. Vocês podem não estarem entendendo, mas é isto mesmo, diante do representante eu passo a ser a pessoa desordeira de uma cultura já estabelecida na vida daquela criança, porque se ela já passou 5,6,7 anos na escola, ela passou muito mais na convivência de seus familiares e foram eles que ensinaram o que é certo e o que é errado. Acho que a psicologia diz algo como: são nos primeiros anos que acontece o verdadeiro aprendizado e depois ela só vai assimilando as outras informações, então os conceitos que eu passo como "educadora" para esses alunos podem ser contraditórios ao que eles receberam em suas residências, a prova disto é quando me deparo com a pessoa que vai à escola para tratar dos assuntos pedagógicos do aluno.

     A pessoa que chega quase sempre é a mãe e por algumas vezes se apresenta de um jeito bem típico: short curto, blusa mostrando a barriga, fone de ouvido e celular pendurado no bolso enquanto toca uma destas músicas que não tem propriamente uma letra, é mais algo como tchu tchu tcha, chupando chiclete e falando gíria, diz que foi ali para tratar da advertência recebida pelo filho e que gostaria de ser recebida rápido porque tem mais o que fazer em casa e que se o filho tiver feito algo errado irá apanhar muito quando chegar em casa. Outras vezes, o pai aparece na escola, mas infelizmente algumas vezes está bêbado, chega falando alto e dando tapas nas mesas.

     Diante desta situação, penso duas vezes se devo relatar a vida escolar do aluno, já nem sei se ele está errado ou se eu estou. Rapidamente entendo que o aluno não assimila as regras da escola porque ele vive em ambiente diferente, os exemplos devem falar mais forte do que as regras que eu falo para ele que devem ser seguidas. Em meio a um e outro professor que fala sobre o comportamento do aluno e a mãe também diz algumas coisas, começo a pensar que o menino não é assim tão ruim, que o comportamento dele é um reflexo da educação que recebe todos os dias, que talvez ele tente fazer diferente na escola, mas já está tudo tão intrínseco que ele não se controla. Assim, o meu lado sentimental psico-professora começa a achar que aquele menino é um anjo perante a educação que ele recebe, que ele faz uso a famosa frase "educação a gente trás de berço". É uma situação realmente desoladora, difícil de explicar e de conviver, mas com certeza capaz de me deixar com duplo peso na consciência; não posso deixar o aluno fazer o que ele quer, preciso repassar para ele o mínimo de responsabilidade, de respeito com os demais, de conteúdos, mas também tenho que respeitar a individualidade dele porque ela vem de um meio ambiente que parece estar errado aos olhos dos professores, mas de repente não da comunidade em que ele vive. Tudo aquilo é como um DNA que vai passando de geração em geração, com certeza estes pais passaram por situações semelhantes quando da sua adolescência e isto veio se intensificando pelas interferências de cada época, de cada lugar que moraram, de cada nova família que se formou e que trouxe pensamentos diferentes.

      Depois da mãe ir embora, volto para a sala de aula e entre uma aula e outra me encontro com o aluno que me pergunta o que ficou decidido entre a mãe dele e os professores, dou um tapinha nas costas dele, balanço vagarosamente a cabeça e digo para ele todos os professores conversaram no dia da coordenação sobre o caso, que o encaminharemos para o Serviço de Orientação Educacional porque precisamos rever toda a situação dele, agora a conversa tem outro foco, mas que enquanto este momento não chega, nós podemos nos encaminhar para a quadra e ter nossa aula de Educação Física, porque lá sim todas as regras são iguais independente da localidade, do padrão social, da raça ou do tamanho, as regras do jogo de futebol, de vôlei, de handebol ou de basquete são as mesmas aqui ou na China.


Luciane Dias




sábado, 16 de junho de 2012

FÉ FOTOGRAFADA

    


     Numa conversa banal uma amiga mudou totalmente de assunto e me convidou para ir para Trindade, teríamos que fazer uma caminhada de cerca de 25km em 5 horas, um percurso de fé que leva as pessoas a uma cidadezinha cheia de tradições religiosas e que tem uma das maiores festas. Fiquei animada com o convite, mas confesso que não foi para exercitar minha fé, na hora só consegui imaginar que isto podia me dar a oportunidade de fazer algumas fotos.

     Durante o percurso com certeza teria muitos exercícios de fé e se eu me concentrasse um pouco poderia tirar o atraso de nunca mais ter tentado tirar boas fotos, e até mesmo poderia fazer algumas para postar junto com minhas crônicas. Quem sabe ainda, com tantas pessoas falando com Deus, Ele me iluminaria para eu não errar tanto no foco, fazer bons enquadramentos e ser mais criativa.

     Depois de arquitetar isto um lampejo de culpa acendeu uma luz no meu lado religioso, nossa em nenhum instante eu tinha pensado em aproveitar este momento para falar com Deus, não pensei na minha fé ou em qualquer outra coisa que não fosse os registros, me preocupei até nos erros que com certeza eu cometeria nas fotografias, mas não pensei em pedir perdão pelos erros que cometo todos os dias.

     No fim do papo conclui que talvez registrar a fé das pessoas poderia aumentar a minha, já que aprendemos mais por exemplos do que por conselhos, poderia tirar muitas fotos e daí teria muitos exemplos a prova viva, sem dizer que pelo tempo que eu teria que caminhar, carregando a máquina fotográfica e outras coisitas que não são muito leves me faria em algum momento falar com Deus, pedindo proteção e força para conseguir percorrer o caminho e tirar pelo menos umas 100 fotos que fossem boas e daí planejei que não esqueceria de agradecer por tudo que tenho tido e ganhado de Deus, pediria também proteção para todos da família, do trabalho, dos ciclos amigáveis. Pronto desta forma tava fechado o acordo fotográfico da minha fé. Já estou achando que me sairei melhor na fé do que nas fotos!!!

domingo, 3 de junho de 2012

GÍRIA DESATUALIZADA

     Outro dia me senti como um programa de computador desatualizado, destes que só rodam naqueles computadores antiguérrimos.
     Estávamos numa roda de mulheres a beira de uma quadra de futsal descansando para o segundo turno da partida quando se estabeleceu um bate-papo em torno do material apropriado para a prática do esporte.

   
   Aqui, preciso fazer uma pausa no assunto para esclarecer que neste grupo que joga uma bolinha duas vezes por semana, tem mulheres de várias idades, a mais nova tem uns 14 anos e a mais velha uns 44 anos, se não afirmo com certeza a idade das jogadoras é porque nunca perguntei, nós nos reunimos exatamente para esquecer detalhes da vida que podem desconstruir a felicidade, então ali o que importa é participar da brincadeira esportiva.
     
     Depois de um ano jogando juntas e acreditando que éramos todas iguais independente de sermos casadas ou solteiras, mocinhas ou idosas “minha casa caiu” e já explico o porquê voltando a contar a história.
    
     Como eu ia dizendo, estávamos em um intervalo do jogo, conversando quando eu e uma colega chamada Ana Cláudia falávamos de uma dor no calcanhar que podia ser ocasionada pelo tênis que usávamos, então eu falava para minha colega que minha dor tinha diminuído depois que troquei meu tênis “ralé” por um com melhor estrutura.
   
     Uma outra personagem do jogo, a Ana Júlia, foi tomada de assalto pela minha frase e com uma cara de espanto aquela moiçola de 14 anos me perguntou o que era uma coisa “ralé”, se era alguma marca.
   
     Daí fui eu que fiquei sem entender, como assim ela não sabia o que era isto! Entre risos de surpresa tentei explicar que “ralé” na verdade é uma referência a camada baixa da sociedade, mas como gíria a gente usava para dizer que algo é de baixa qualidade, é ruim, é fraco, feio... sei lá, nem me lembro ao certo quantos e quais adjetivos usei na hora para tentar explicar para ela o significado da palavra.
    
      Enquanto eu explicava, minha amiga Ana Cláudia dona de um tênis “ralê” caia na gargalhada, eu não sabia se ela ria de mim por usar uma gíria tão ultrapassada ou se da Ana Júlia que não sabia o significava de uma expressão tão simples e que marcou uma geração de adolescentes.
   
     Nesta hora vi que, como a tecnologia, o linguajar também se moderniza colocando em esquecimento algumas programações recebidas em um determinado espaço de tempo. Para testar o quanto meu processador estava desatualizado e até que ponto eu conseguiria rodar meu linguajar nesta era juvenil, perguntei para Ana Júlia se ela conhecia algumas gírias como: filé, cair nas quebradas, dar um rolé, ficar grilado.
  
      Aquilo tudo parecia uma piada, porque os 15 anos de diferença entre Ana Júlia e eu até então não marcava nem um paradigma que me fazia sentir velha, conseguíamos conviver juntas numa boa, mas era bom que eu fizesse uma atualização da minha programação, nada muito grave que afetasse minha auto-estima a ponto de intensificar o uso dos cremes anti rugas. É mais fácil que tudo isto, basta prestar atenção no palavreado atual, se eu conseguir aprender as gírias dos jovens, substituindo-as pelas que aprendi quando eu era adolescente, acho que daria para continuar convivendo sem conflito, mesmo que o computador aqui seja o de 32 anos atrás.










segunda-feira, 21 de maio de 2012

COMO VOCÊ COME? EU COMO COM A CABEÇA!!!


      Há muito tempo ouço o ditado popular que diz “eu como com os olhos”, eu entendo perfeitamente este ditado, não é porque sou boa de interpretação, mas neste caso aí eu consigo absorver bem, não posso ver uma comida que desejo que ela seja minha, e claro, quanto mais bonita a comida, mais desejamos tê-la e quanto mais tem, mais comemos. Mas, desta vez foi diferente, o ditado aqui não coube muito bem.

     Cheguei à casa da minha mãe e vi uma carne descongelando, perguntei para ela que carne era aquela e ela disse que era uma carne de javali, da mesma que tinha feito há algum tempo e eu não gostei. Ela disse ainda, que aquela carne que estava ali descongelando era para ser levada para a mãe do “digníssimo” (homem que mora com minha mãe e que não é meu padrasto, se for preciso falo disto em outra ocasião). Respondido a minha pergunta me recolhi aos meus aposentos para tomar banho e esperar o almoço.

     Quando cheguei à cozinha para almoçar perguntei para minha mãe que carne era aquela que estava na panela de pressão e o “digníssimo” logo gritou de lá dizendo que tinha vários tipos de carne: costela, cupim e lingüiça. Coloquei dois pedaços de carne no meu prato, mas achei toda aquela situação meio duvidosa porque no meio daquilo tudo poderia estar a tal carne de javali e eu me negava a comer aquela carne de novo. Mesmo assim, pus a comida no prato e fui me sentar para comer.

    No caminho entre a cozinha e só sofá da minha residência passei pelo local onde estava descongelando a carne de javali, mas como eu estava muito preocupada com a carne que estava no meu prato não reparei se a carne que eu desejava que não fosse aquela cozida no meu prato ainda estava no mesmo lugar do descongelamento.

     Eu sabia que além do digníssimo dizer, minha mãe também listou para mim quais carnes tinham sido cozidas, mas por alguns momentos pensei que minha mãe tivesse me enganando, se eu penso assim é porque ela faz isto comigo desde que eu era bem mais bem mais nova e fazia isto de me enganar para ver se eu comia algumas coisas que eu não gostava, uma delas era por beterraba bem cozida no meio do feijão, ela dissolvia e deixava o feijão bem vermelho, eu então suspeitava e ficava inquirindo minha mãe, mas ela dizia que era porque o feijão era de uma marca nova e tinha acabado de ser cozido, até que um dia eu descobri que a marca nova significava beterraba que eu detestava comer. Mas, agora não dava mais para minha mãe me enganar assim né, já to bem velhinha para isto.

     Mesmo com a dúvida, sentei-me para almoçar, mas cada vez que eu olhava para aquela carne me dava uma sensação ruim, comecei a cheirar a comida para ver se tinha o cheiro forte da carne em questão, comi um pedacinho junto com o arroz e feijão, parecia bom, mas o problema era minha cabeça que queria me convencer que aquilo não era um cupim e sim um javali morto. Eu não me prendia muito ao paladar ou ao cheiro, quem tava comandando tudo era meu cérebro, ele mandava mensagem para meu estômago para rejeitar a comida, que comer aquela carne podia apresentar um grande risco para a minha integridade estomacal.

     Comecei a imaginar a cena, duas semanas depois em outro almoço de domingo com a família toda, minha mãe contando para minha irmã que tinha me enganado e que eu tinha comido javali sem nem perceber. Aí é que meu estômago começou a embrulhar mesmo, já estava quase me vendo passar mal, eu já não sentia fome e a quantidade de colheres que encaminhava a boca com a carne era cada vez menor.

    Não sei porque somos assim, capazes de comer algo e depois que sabemos o que é termos vontade ou mesmo vomitar tudo; de perdermos a fome só de se imaginar comendo algo que não gostamos e que achamos nojento; o bicho pode ser feio, esquisito, porco sei lá mais o quê, mas a carne pode ser boa, o “prato” pode ser bonito, pelo menos isto é a teoria que meu paladar e meu olho comandam, mas meu cérebro entende diferente e acho que me estômago é comandado por ele, porque eu realmente acabei comendo somente um dos pedaços de carne que coloquei no prato.

    Então voltei lá na cozinha da minha mãe e disse para ela que tinha colocado dois pedaços de carne no prato, mas que eu só tinha comido um pedaço. Toda aquela situação mexeu tanto com meu estômago, ou será que foi com minha cabeça?! Bom não sei, o que sei que nem coloquei o prato na pia para lavar, larguei lá tudo com minha mãe e fui saindo, daí sabe com quem eu encontrei?! Sim, com ele mesmo, o javali descongelante, neste momento eu não sabia se ria ou chorava, afinal de contas, eu estava mega feliz por não ter comido o javali, mas estava super triste por não ter almoçado do tanto que eu queria e precisava para matar minha fome, tudo isto porque meu cérebro traiu meu paladar.

















quarta-feira, 18 de abril de 2012

Brasília: Capital do Poder




O fato de Brasília ser capital do Brasil, isto todo mundo sabe, deixou de ser novidade há mais de 50 anos, mas às vezes, fica parecendo que Brasília é a capital do paraíso, do Éden ou algo assim.

A renomada capital tão bem desejada por Juscelino kubitschek e planejada por Oscar Niemayer parece ser dotada de uma idolatria que a coloca num pedestal tão superior às demais regiões do Distrito Federal.
Ando cansada de ouvir nos noticiários o mesmo jargão que determinado fato acontece no “Centro da capital federal”, como se isto fosse aceitável em qualquer lugar, menos em Brasília.

Outro dia o repórter de um jornal do Distrito Federal noticiava, indignado, que, em pleno coraçao de Brasília, tinha camelôs em locais inapropriados, carros estacionados em lugares impróprios, adolescentes fazendo uso de drogas durante o dia e perto de monumentos que marcam a história de Brasília, construções que fogem ao plano original da capital, fundada como patrimônio cultural da humanida.

Ele, falando daquele jeito, fazia parecer que Brasília gozava de privilégios, como se ela fosse a capital do plano celestial e por isto devesse ser impecável. Esta afirmaçao põe as demais regiões administrativas do Distrito Federal como locais indígnos, como se a localidade já o estabelecesse como local marginalizado, capaz de habitar todas as mazelas do mundo. Uma região “umbralina – nome dado pelos kardecistas, ao plano espiritual onde habita seres espirituais em estado pouco desenvolvido.

Será que ele repórter, na obrigação de saber das atualidades, esqueceu-se que Brasília tem tido os mesmos problemas das grandes metrópoles e que ela não se beneficia em nada, que o status de capital do Brasil não a torna nem melhor nem pior que as demais localidades?!

É como se o título de Patrimônio Cultural da Humanidade fosse uma carteirinha dada à Capital do Brasil imputando a ela prerrogativas. É como se os belos monumentos, as largas pistas das asas sul e norte e do eixo monumental ou as imponentes bacias do Congresso Nacional desse uma carteirada a cada um cidadão que se aproximasse do Centro da Capital Federal perguntando lhe qual o real interesse de entrar neste espaço idolatrado, salve- salve. E dependendo da resposta, desse passagem aos engravatados, mandasse os drogados para a Ceilândia, Samambaia ou Brazlândia, os ladrões para o Riacho Fundo, Taguatinga ou São Sebastião e assim continuasse fazendo distinções e enviando as pessoas ao entorno do Centro do Poder.

Quanta hipocrisia cercava aquela reportagem. É exatamente do local de status de capital, do centro do poder que se emana os maiores poblemas que a cada dia se estabelecem mais e mais em todo o território nacional. Sim, os engravatados responsáveis pelos conchavos políticos que roubam do povo a dignidade humana, que apagam do Brasil o sonho intenso e o raio vívido.

Fiquei pensando onde moraria o Sr. Repórter, se ele realmente achava que todas as cidades poderiam ter problemas, menos a grande Brasília, se em algum momento ele nao desejou que que toda a criminalidade do local onde ele mora fosse transferida para o Congresso Nacional, acabando com a farsa existente na figura representativa da democracia brasileira e de onde sai as maiores atrocidades que podem se abater sobre uma sociedade.

Neste sentido, se a criminalidade não pode se abater no coração da Capital do Brasil, o Congresso Nacional deveria ser extinto, porque com os fatos atuais da política brasieira o Congresso Nacional parece um quartel general de criminosos: ladrões, 171, matadores, usurpadores. Aquilo deveria ser tranformado em uma prisão de segurança máxima controlada pelos pais de família que trabalham honestamente. Será que os reporteres teriam coragem de noticiar esta idéia tão importante para limpar o Centro da Capital da criminalidade ?!

quinta-feira, 15 de março de 2012

AULA DE CARÁTER

Quando a gente acha que já ouviu de tudo, nesta vida vem algum fato e nos surpreende. Eu estava no trabalho logo após o feriado do carnaval e duas colegas começaram a conversar sobre o que tinham feito neste período, quando de repente, uma disse que não tinha saído de casa porque ela tinha muitas atividades para fazer referentes ao seu trabalho na igreja e das suas aulas de caráter.

Aquilo entrou nos meus ouvidos de forma meio hilária, duvidosa e ao mesmo tempo curiosa, então para não errar nos pensamentos perguntei a ela se se referia a caráter da pessoa, se era no sentido de índole referente as pessoas, algumas com bons comportamentos e outras com má condutas, se era em relação a postura socialmente aceita, ao que ela afirmou que era sim.

Ela disse que isto se fazia necessário porque algumas pessoas tem caráter ruim e outras são bom caráter. Disse também que o professor é muito bom, que ele tem boa formação, claro que não se referiam a formação acadêmica, pelo que deram a entender o professor tem curso universitário, mas as colegas se referiam a outro tipo de formação, seja ela religiosa ou qualquer outra que eu desconheça.

Enquanto elas conversavam eu mergulhava num mar de indagações pessoais, sociais e porque não dizer, cômicas. Eram pensamentos como os do mundo de Bob (desenho animado que passava na minha infância), fiquei imaginando como seria esta aula sobre a índole humana, se realmente era capaz de ensinar para alguém como ter boa conduta no meio em que está inserido. Mais que isto, seria capaz de modificar os comportamentos como o de uma pessoa com seus 35 anos e sua personalidade teoricamente já formada a ter boa índole, será que os alunos depois de frequentar estas aulas realmente mudariam suas atitudes perante os outros?!

Não pude me furtar à dúvida sobre a minha aprovação ou reprovação nessa disciplina, como também ao pensamento de como se sentiria alguém que fosse reprovado nessa matéria. Qual a seria a punição para ele? Será que tinha recuperação?! Isto porque de alguma forma tinha que se ter uma avaliação, mais que isso, só de saber que você teria que ir a essa aula, já era uma pré avaliação. Por que até onde entendi, nem todos precisavam cursar a tal aula de caráter, então acho que alguém, por algum motivo, determinava quem deveria e quem não deveria ir a esta aula.

Eu até acredito que não somos tão honestos, ninguém é totalmente honesto, mas daí ir para uma aula de caráter, parece meio estranho. Tenho para mim que todos nós, em estado normal de consciência, sabemos o que é errado e o que é certo. Então, não é que não tenha caráter, é que as pessoas não usam os princípios inerentes ao convívio em sociedade que aprendem desde cedo, na família, na escola, na igreja ou em outro meio que esteja inserido.

Quando acordei um pouco do mundo ilusório da didática comportamental do caráter, percebi que a conversa ainda continuava entre minhas colegas de trabalho. Agora quem falava era a outra colega, que dizia conhecer a fama do mencionado professor. Ela contava que inclusive afirmavam que algumas pessoas eram mau caráter porque eram descendentes de Caim.

Nesse momento não me contive, soltei umas gargalhadas que chamaram atenção, mas não quis participar do assunto, dada a minha ignorância bíblica. Claro que aí coube um último pensamento: como este povo conseguia provar quem era descendente de Caim, e mais ainda, provar que a genética persistiu a tantas gerações a ponto de ainda permanecer em um individuo tornando-o uma pessoa de mau caráter. Para este indivíduo, nem a aula de caráter vai adiantar muito por que o problema é genético, daí, acredito que seja um mal quase que sem cura.

Toda esta história era muito complexa para minha cabeça, então deixei a sala onde estávamos, imaginando se eu devia me matricular numa destas aulas de caráter ou se apenas deveria ficar mais antenado nas coisas para não errar. Mas de qualquer forma sai feliz, por que elas não me convidaram para a “bendita” aula de caráter.