sábado, 14 de abril de 2018

VOCÊ É MASTER ?!!!


Tem expressões que marcam nossa vida e outras marcam nossa história.
Sempre usei expressões do tipo: top, mega blaster, ultra e outras para expressar coisas muito intensas e boas. Tenho muitas mega, ultra power amigas, mas outro dia me surpreendi com uma expressão que uma delas usou para me elogiar.

Em um grupo virtual postei uma mensagem de parabéns. Me esforcei para ser uma felicitação mega inspiradora, que deixasse a aniversariante super emocionada e que fosse ultra carinhosa.

Dai uma amiga do grupo me manda uma mensagem em resposta a minha empolgadíssima mensagem: “Pegou pesado com as amigas menos poéticas.” Pensei logo que tinha arrebentado, com esse mega elogio. Mas 2 segundos depois eu fui da euforia ao desespero, pois na linha abaixo do comentário estava escrito: “Você é máster, obrigada por me lembrar o aniversário da Telma.”

Pum! Em um primeiro momento aquilo caiu como uma bomba. A gente falando de aniversário e de esquecimentos da idade e ela solta a palavra máster. Só vinha na minha cabeça os campeonatos máster, ou seja, de pessoas mais idosas. Me vi idosa tentando escrever algumas palavras de parabéns aos amigos e a memória falhando com as palavras, ou mesmo sem eu conseguir enxergar as letrinhas do celular, ou caminhar até a casa da amiga, dirigir então pior ainda. O campeonato não seria mais lembrar o dia do aniversário mas conseguir de alguma forma parabenizar a amiga, isso se conseguisse lembrar quem ainda é amigo, onde mora, como se chama.

Eram 6 horas da manhã, confesso que achei ter sido um delírio, reli tudo novamente com mais atenção e menos apego a idade. Caí na realidade e com toda minha capacidade inteligível de português que pode ser usada nesse horário compreendi o quão grande era o elogio da minha amiga, uma coisa colossal.

A mente da gente as vezes nos trai, ainda mais quando em plena madrugada se força todo o fodástico poder dos neurônios tico e teco para escrever mensagem de aniversário de uma amiga que está fazendo 50 anos e já pensando que com 40 anos estou muito mais acabada que a amiga que comemora meio século. Meio século abala até quem está por perto.

Compreendido todo o contexto levantei a cabeça, pulei da cama e segui para o dia de trabalho, claro que sem esquecer daquela dose do creme Renew contra rugas.O vigor é dos 20 anos capaz de jogar o campeonato junior, mas a cara e a memória já não mais os mesmos.


terça-feira, 8 de março de 2016

TAPA OLHO AÉREO




Tem coisas que a gente jamais imagina que vai acontecer, são tão surreais que fazem jus ao dito “é coisa de novela”. TAPA OLHO para dormir entra nessa condição, só ouvi dizer que existe. É coisa que só se usa em novela, normalmente nas de época e também em  cinema. Nunca vi ninguém usando. Tudo bem que não dormi com muita gente, mas nem de ouvir falar conheço alguém que usa esse adereço.

A televisão por vezes usou personagens ricos que fazem uso desse objeto que para mim deve ser listado na categoria de íntimo. Se a gente não dorme com qualquer um imagina dormir com alguém usando aquela imitação de olhos de besouro, se durante um relâmpago a pessoa senta na cama com o tapa olho quem está do outro lado infarta de medo. Sem dizer que é um objeto pouco sexy, já pensou depois de uma noite de amor daquelas de arrepiar os cabelos e quando acorda de madrugada para fazer um carinho no rosto da pessoa e se depara com um tapa olho com o desenho de um cachorro de raça?!

Como eu falava apenas em televisão vi alguém usando esse tapa zói. Não sei se é realmente coisa de rico, mas deve ser, porque pobre dorme em qualquer situação: duas pessoas em cama de solteiro, dorme no chão, com a luz da rua passando pelas frestas das tábuas do barraco, com as crianças no berço chorando, jamais gastaria o dinheiro para comprar o tal estimulador do sono.

Nunca nem vi um desses para vender,  alguém aí já viu, sabe quanto custa, sabe em que seção da loja encontra , sabe descrever a sensação de usar ?! Será que tem algum com chip que toca música, com wi-fi, transmissão de imagens estimulantes ao sono em 3D?! Tem que ter alguma inovação para estimular alguém a usar isso ainda hoje em dia porque mesmo em novelas isso era coisa do passado, da época de império. Acho que vou comprar um para mim só para testar, só tenho medo de ser confundia com uma pirata duplicado, ou será que parece mais com um “x man”, pelo menos terei história para fazer o texto parte dois contando a sensação e o mico.

Mas, o que realmente vem ao caso com relação ao  tapa olho é que em um vôo que fiz outro dia, tive a grata surpresa de sentar-me ao lado de uma moça que aparentava um certo chiqué, com  um certo garbo desfilava uma bolsa de marca, dessas que custa dois a três meses de salário de um reles professor,  e um óculos estilo aviador.

Após o avião levantar vôo a moça garbosa abriu a bolsa e tirou uma tapa olho. Entrei em transe, sabe aquele momento que você não pode olhar, mas não consegue tirar os olhos, deixando bem notório que a atitude do outro revela uma cena incomum?! Se ela fosse minha amiga teria listado isso no texto sobre as esquisitices dos amigos.

A coisa ficou mais estranha quando reparei que o tapa olho ou ajudante de dormir  preguiço era de bichinho, todo mimoso. Não tenho dúvidas que minha sobrinha de 06 anos iria achar lindo para brincar com suas bonecas e que ficaria enlouquecida de perguntas e gargalhadas se estivesse no vôo comigo presenciando a cena e eu tentando controlar a menina, ela nunca viu um tapa olho, acho que nem mesmo o do pirata que é em um olho só.  

A moça não se intimidou pelo meu olhar e muito menos pelo outro rapaz que estava sentando ao meu lado no avião, charmosamente como se estivesse repousando em um dos spas mais chiques do planeta ela se enroscou no espaço apertado das poltronas, não estávamos em voo de primeira classe, deu um tímido espreguiçar e se entregou a uma aparente soneca.

Se a moça tinha algum glamour ele caiu por terra quando além do tapa zói de bichinhos a moça dormia de boca aberta. Até o rapaz que sentava ao nosso lado ficou meio embasbacado com a cena, dava para perceber que de tempo em tempo ele dava uma olhadinha de rabo de olho para a mulher e cada vez ficava mais catatônico com a cena, acho que ele estava mais encucado que eu, comecei a achar que a qualquer momento ele tiraria uma self com a “bela adormecida” pirata ao fundo para postar nas redes socais.

Passei a temer que o próximo passo fosse ela começar a roncar ou a babar, aí sim seria a treva. Se isso acontece será que ela teria na bolsa famosa um kit de dormir com babador, escova dental portátil para escovação a seco, pantufas, travesseiro inflável, um verdadeiro kit rápido de viagem, isso poderia justificar a bolsa ser chique né!!!

     Quando o avião aterrissou ela tirou o “tapa zói” para guardá-lo na bolsa eu não consegui tirar os olhos da bolsa, na expectativa de tentar enxergar lá dentro e vê se tinha possibilidades de ter o kit de viagem, não vi nada, mas no fim de tudo ela tirou um chiclete, passou as mãos no cabelo penteando-o como é normal depois de acordar e se preparou para descer com aquele glamour que só uma deusa pirata pode ter. 

Luciane Dias
fev/2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

ESQUISITICE TOTAL: VIAGEM COM OS AMIGOS


       Viajar com amigos é uma prova de amor como o casamento é para os amantes. Dormir e acordar com alguém é um estágio de sobrevivência de qualquer relação.  Oportuniza conhecer as pessoas não pelos seus defeitos ou qualidades, mas por suas esquisitices. Quem não tem esquesitices?! Tenho certeza que você que está lendo este texto está pensando nas suas. Aconselho que pegue uma resma de papel para anotar porque se você for honesto para admitir todas, a lista será enorme.

Tolerar as esquisitices dos outros é admitir que a relação supera muitos obstáculos e que já está em bom nível de amor. Se quiser por uma amizade a prova convide um amigo para viajar e se tudo correr bem faça o certificado de ISO amigável e não esqueça de pedir a Deus para ser aprovado também.

Por outro lado se você quiser se livrar de um colega convide-o para uma viagem e poderá pirraçá-lo sem que ele perceba que é proposital. Independente da situação amorosa ou de vingança dormir e acordar junto pode nos dar a sensação de dormir com o inimigo.

Se você nunca presenciou uma pessoa que fala dormindo, então em uma dessas viagens você pode desfrutar de uma das formas de diálogo mais irritante. Acordar madrugada a dentro com a pessoa ao seu lado resmungando palavras desconexas pode te fazer saltar da cama em desespero, mas se é seu amigo você tenta acordá-lo para de repente livrá-lo de um pesadelo, mas se é aquela pessoa que você quer acabar com a amizade daí você puxa um papo para ver se arranca algum segredo cabeludo.

Pior do que falar dormindo é a esquisitice do ronco. Para quem ronca nada como uma boa noite de sono, já para o colega que tenta dormir do lado é como vivenciar uma noite de fogos de artificio na virada do ano novo, com a simples diferença que em uma você acha bonito e sorri para comemorar, na outra você chora e tem vontade de matar quem está na cama ao lado.

E ainda tem tipos diferentes tipos de ronco, uns parecem um fusca tentando subir um morro, com a diferença que não tem cheiro de combustível, outros uma turbina de avião em plena decolagem. Para quem tem sono leve chega uma hora que a vontade de pegar o travesseiro e acabar com o ronco na força bruta e por consequência com a amizade.

Ir ao banheiro é outro problema, na verdade um tabu. Defecar é um dos maiores constrangimentos. Para amenizar a vergonha disso cada um tem uma estratégia. Uma amiga leva uma caixa de fósforo para o banheiro, ela jura que é uma boa estratégia para esconder os odores. Eu acho tétrico porque além do odor das fezes ainda tem o do fósforo, que diga de passagem também não é agradável. Tem uma outra, que só usa o banheiro social do hotel, melhor um estranho a sentir os odores do que os amigos, nesse caso acho que é uma grande prova de amor.

Em uma viagem vi uma grande amizade de infância quase ser levada pelas ondas do mar. Tomei banho com a bucha e o sabonete da amiga. Quando ela entrou no banheiro e descobriu isso, desatou a brigar e dizer que o sabonete que estava no banheiro era só para o rosto e eu não podia ter lavado o corpo todo e que a bucha era só dela. Falei que comprava outros itens, mas não foi o suficiente, ela ficou tão nervosa que se eu tivesse falado mal dela com a outra amiga que tinha viajando com a gente ela teria encarado com mais naturalidade, não perdi a amiga, mas o meu ISO de qualidade amigável foi para o beleléu.

Tudo se torna mais agravado quando ficam muitas pessoas em um único quarto. Tenho uma amiga que diz que para preservar a amizade só fica em quarto duplo, ano passado viajamos juntas, éramos seis pessoas, mas ela não quis que ficássemos em dois quartos triplos, reservou três quartos duplos e salvou cinco amizades. Acho que ela já fez a análise das suas esquisitices e achou tantas que procura salvar os amigos de uma somatória grande delas.

Teve uma vez que a briga foi pela cama. Três pessoas e duas camas, uma de casal e uma de solteiro. Em consenso decidimos que a melhor forma era resolver democraticamente, tiramos zerinho ou um, para saber quem iria dormir na cama sozinha. Acontece que uma das que perdeu para dormir na cama de casal com a outra colega teve a humildade de pedir para trocar porque ela tinha problemas de gases  e normalmente a noite soltava muitas flatulências. Fiquei a pensar como o corpo dela sabia que era noite, para só soltar gases a noite, mas por via das dúvidas, implorei a minha amiga que iria dormir sozinha para trocar de cama, afinal eu iria ser a maior prejudicada.

Essa é a prova de amor que se espera dos amigos: honestidade, generosidade, lealdade, humildade, bom senso e coragem, porque quando se ama um amigo a gente aceita se expor a tantas outras esquisitices. Parece ainda que terminada a viagem e vencido as esquisitices procurando fazer de cada uma uma grande malhação do amigo a amizade fortalece. É esse tipo de atitude que faz uma amizade durar até que a morte separe.

 Luciane Dias /02.16
















segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

FUI TROCADA NA MATERNIDADE


Será que existe algum tipo de tecnologia que analisa o DNA da personalidade? Se houver eu gostaria de saber onde posso fazer o exame. Vendo o carro e as calças se preciso for, é preferível do que morrer sem saber de quem realmente sou filha.

É angustiante você viver com meia verdade. No meu caso, vivo com duas meia verdades quanto as minhas origens, ou talvez seja até três. Não sei se sou filha da minha mãe, se sou filha do meu pai ou se fui trocada na maternidade.

Não quero um desses exames tradicionais de DNA quanto à paternidade. Esclareço que sou a cara, “esculpida em Carrara” do meu pai, mas isso é só uma questão física. E acho que o povo afirmou tanto, que parece que cada dia pareço mais com ele fisicamente, sou quase a parte feminina do meu genitor.

Da minha mãe não herdei muito coisa. Acho que só o dedão do pé que por sinal é horrível e se pudesse teria pedido à Deus pelos menos os cabelos lisos dela, mas, acho que o xizinho dela é fraco, então não deu certo. E não me entendam mal, não é preconceito, é que os cabelos crespos me dão muito trabalho, são desobedientes e teimam em ficar de pé e desalinhados, me roubando a oportunidade de pelo menos um dia se quer estar bem penteada, ainda mais se a estação do ano for de vento.

Geneticamente não há dúvida, sou filha deles. Minha orfandade vem da personalidade. Não estou renegando pai e mãe, ao contrário, estou querendo acabar com o jogo de empurra- empurra deles, em que nenhum dos dois assume ter ofertado a mim suas características da personalidade.

Cresci ouvindo minha mãe gritar que tenho a personalidade do meu pai. Ela dizia que eu era ruim como ele, que juntava tudo que via com exceção do “papel que limpava a bunda porque fedia”. Eu ficava perdida sem entender o que tanto tinha de parecido além da cara e também sem saber o que eu tanto juntava para guardar, mas pelo menos era melhor isso do que parecer com um psicopata.

Meu pai é uma daquelas pessoas tranquilas, que não fala mal de ninguém, conversa baixo, é trabalhador e de uma maneira geral é honesto (as transgressões de trânsito roubam a honestidade de qualquer pessoa). O problema dele é a infidelidade, sempre teve várias mulheres e ainda hoje aos 68 anos é assim.

Mas, o que isso tinha a ver comigo? Eu sempre fui super fiel a minha mãe, sempre estive ao lado dela. Mesmo no dia que ela queria matar meu pai por aparecer com uma mancha de batom na camisa, só depois de muita briga ele conseguiu provar relembrando minuto a minuto o que fez no dia, que a mancha de batom era dela mesmo que encostou-se nele. Eu fiquei fiel a ela, tentando provar que o doido era meu pai. É fato para minha mãe, sou filha do pai.

Já meu pai, me crucificava porque achava que eu era a fotocópia da minha mãe. Dizia que como ela eu não era confiável. Veja bem, como uma criança é classificada pouco confiável!!!  Por isso, meu pai elegeu minha irmã como a queridinha do papai, tipo 90% para ela e 10% para mim. Como minha irmã mora em cidade diferente da minha e da dele, ele vem a minha casa só para ver minha irmã. Não pense que é ciúmes, toda a família sabe disso, é fato concreto para a cabeça dele, sou filha da mãe.

Fui criada em um lar tranquilo e com uma família feliz, mas sem saber se me pareço com a mãe ou com o pai, passei a sofrer da síndrome da personalidade adquirida, uma doença nova que acabei de inventar, nem pareço com a mãe e nem com o pai e como consequência, não consegui assimilar as minhas características individuais. Passei os 35 anos procurando as formas de pensar e agir nos meus genitores.

Isso parece um pouco dramático né?! É só um charminho! Não sofri tanto assim, o drama e o charminho deve ser a parte da personalidade resultado do empurra –empurra e da ideia de ser filha de chocadeira. Em alguns momentos era até oportuno ter dupla personalidade.

Não abro mão do exame, tem coisas que precisam ser tiradas a limpo. A ideia de ser trocada na maternidade da personalidade não é legal, preciso conhecer a genética do meu caráter, resta saber se existe o exame e se não existe se tem alguém disposta a desenvolver um.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

EM QUANTO TEMPO VENCE SEU ANTITRANSPIRANTE?

Vi a propaganda de um antitranspirante que protege as axilas por 72 horas. Fiquei tão estarrecida que me senti como o ET quando assistiu à  televisão pela primeira vez. Como pode um produto proteger alguém contra odores por tanto tempo? Será que ele realmente tem essa eficiência toda? A propaganda não ressaltava nenhuma outra característica do produto, apenas frisava às 72 horas de proteção.

Um produto desses deveria ter a venda proibida e a marca multada com um valor exorbitante por incentivar maus hábitos e o Estado devia mandar fazer uma campanha de consciência; Ministério da Saúde adverte: Produtos com mais de 24 horas de proteção fazem mal aos relacionamentos e as demais convivências sociais.

Apesar de pairar a dúvida se o produto realmente é eficaz,  a questão maior está em quem compra o produto. Se eu namorasse um cara por mais cheiroso que ele fosse e eu encontrasse um produto com proteção por quatro  dias em suas coisas, não conseguiria segurar o receio e faria um interrogatório para ele quanto aos bons hábitos. Que tipo de intenção tem uma pessoa que compra uma coisa que o livra da limpeza diária?

A pessoa deve ir ao mercado e ficar procurando todas as coisas com o máximo de proteção para assim se livrar do banho. Shampoo com proteção contra sujeira e fortalecimento de fios cheirosos, talco contra chulé com proteção de 48 horas, pasta de dente com proteção total por 12 horas, sabonete antibacteriano (tem que ser desse para tirar a sujeira acumulada). Se for um gênio a pessoa deve ter a ideia de criar uma roupa autolimpante para combinar com o contexto.

Pessoas assim devem ser tratadas por psiquiatra e psicólogo porque o laudo médico deve constar que tem pânico de banho. Essa pessoa é um risco para a sociedade, pode sair matando as pessoas e facilmente ser enquadrada ainda nas qualificadoras;
III -... asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;

O antitranspirante pode proteger, mas, se ele não toma banho as outras partes do corpo ficam mal cheirosas e o indivíduo acaba expondo quem convive com ele a mau cheiro, causando tortura e asfixia. Tem situações que colocam o próximo sobre crueldade; dormir com uma pessoa que acumula odores ao invés de cheiros; estar ao lado dele no ônibus lotado onde não tem para onde se mexer.  É pânico ficar conversando com alguém que está a setenta horas sem escovar os dentes. É uma verdadeira traição a pessoa usar desses meios ardilosos para conviver com os outros.

E não duvide, tem pessoas que ficam esse tempo todo testando a eficiência do produto, basta você procurar na internet e vai ver um monte de pessoas reclamando que o antitranspirante não protege durante o tempo prometido. Fábricas dizendo que o produto tem que ser reaplicado por diversas vezes durante o período prometido de eficiência.

É só fazer as contas, suor, perfume, sais minerais e água corporal sendo somados a todo tempo por quatro dias, o resultado químico disso na certa é cheiro de gambá. Impossível essa química produzir um homem lindo e cheiroso como aquele que a propaganda do antitranspirante apresenta no comercial. Aquilo é conto de fadas!

Pelo menos se a empresa fosse multada ou a ANVISA tirasse o produto do mercado, talvez a empresa mudasse o foco, ao invés de antitranspirante resolvesse vender ou alugar o homem gato do comercial por 72 horas. Tenho certeza que assim a empresa lucraria mais, gastaria menos com comercial e não correria o risco de tantas reclamações por ineficiência, livrando assim a sociedade da proliferação dos maus hábitos pela indústria de cosméticos.



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

APELIDO AMOROSO


Os apelidos amorosos devem ser tão antigos quanto Eva e Adão. Adão deve ter usado esse artificio para convencer Eva a comer a maça. Deve ter chamado-a de maçãzinha do coração ou algo como maçãzinha adocicada. Acho até que foi isso que levou a serpente a incitá-los a comer a maça e assim, caírem no pecado e ter umas briguinhas entre eles para pelo menos nesses momentos se chamassem pelo próprio nome, isso porque tem apelido que é quase como um infarto fulminante.

Outro dia enquanto estava na fila ouvi o papo de um casal e foi a coisa mais broxante que já chegou aos meus ouvidos, nem sutiã com calcinha cor da pele no dia de ir a motel ganhava. O casal se tratava por paizinho e mãezinha. Meu São Sinfrôneo, o que era aquilo?! Fiquei imaginando eles na intimidade do lar nas diversas situações, do amor à guerra.

Imagine o homem falando para a mulher – Mãezinha senta aqui no meu colinho que hoje paizinho quer fazer você revirar o “zói”. Ou depois de uma briga onde não estão se falando a mãe fica o tempo todo gritando os filhos para dar o recado para o marido, - Filho avisa para “paizinho” que a comida está pronta e que hoje ele vai dormir no sofá de novo. É muito brega isso, e coitado de quem tem que ouvir esse apelido o dia todo.

Será que a pessoa não pode criar algo menos original, talvez duplicando a sílabas do nome! Olha como fica mais bonitinho os famosos Lulu, Fafá, Titi, Lalá, Queque. Claro que isso também tem seu risco e assim, o Antônio pode virar nome de cachorro, “Totó” e Conrado ou Marcos pode virar “Cocô”. Mas, com um pouco de cuidado pode dar certo. Tem também os diminuitivos que demonstram muito carinho: Fatinha, Selminha, Pedrinho. Minha amiga Clézia chama o marido de “Nego” olha que coisa mais meiga.

Não tem nada de anormal em ter apelidos carinhosos, mas tem uns que são mais que bullyng, chega a ser quase uma agressão auricular social. Ser obrigado a conviver com alguém chamando o outro o tempo todo de “Fia” é quase a morte. E ainda tem o agravante da entonação da palavra, algo como “Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia”. Um ser humano que chama o outro assim, não tem amor pelo parceiro, porque quem ama cuida e isso não é cuidar, é agredir a quem ama e a todos que estão próximos. “Fia, não é um apelido carinhoso nem aqui e nem na China.”

Outro apelido que pode ser enquadrado nos homicidas auriculares são os de bichos. Uma pessoa que chama o outro de gatinho não tem muita credibilidade, tudo bem que gatinho é carinhoso e bonitinho, mas quero ver você chamar alguém assim quando se está com raiva.  Um casal de colegas o marido chama a dócil amada de “Dona Onça”. Muito respeitoso o emprego do “dona”, pelo menos esse pode ser falado com carinho e na hora da raiva faz jus ao que é, não tem pieguice, não tem diferentes entonações que parecem cantiga, é simples, “Dona onça” para todos os momentos;

Tem aqueles apelidos que além de não serem muito bonitos transmitem ou a insegurança do casal com todo o sentimento de posse ou a ânsia de mostrar para a sociedade o status de casados. “Meu bem” se enquadra em uma dessas situações.

A pessoa chama o marido usando esse apelido como se fosse amoroso, mas olha a posse transmitida pelo pronome “meu”. Eu já peguei e agora é meu,  todinho meu esse homem que o padre falou que está unido a mim para sempre. Ouvindo uma conversa a distância deve parecer uma briga de casal prestes a separar os bens adquiridos no casório: meu bem... meu bem...meu bem, cada um escolhendo o que quer ficar após a separação. O apelido parece mais trágico que a separação.

Chamar de “Bem” já é um tanto quanto mal, imagina de “meu bem”. Tenho trauma, porque minha tia,  Dapaz casada com meu tio João só o chamava assim e ficava andando pela casa e gritando “Bem”, oh “Bemmmmmmmmmmm” e enquanto meu tio não respondia ela não parava de gritar, aquilo fazia meu batimento cardíaco gritar junto e meu coração faltava sair pela boca e pular na dela para ela parar de gritar isso nos ouvidos dos outros. Porque ela não o chamava de Joãozinho e ele a chamava de Dadá, muito mais romântico do que esse negócio de “Bem” que deve ter sido criado por alguém que queria provar que o parceiro fazia muito bem na vida da pessoa e para convencer a todos passou a chamá-lo assim.

Na classe dos apelidos possessivos tem ainda “Minha Vida”. Vida cada um tem a sua. A pessoa fala com tanta posse que parece que ela tem duas vidas dentro de si, que mora uma outra pessoa dentro dela e elas batem papo e se relacionam o tempo todo, tanto que quando uma abre a boca a outra sente o sono. Quem ouve o tempo inteiro a expressão “minha vida” chega uma hora que esquece que existe que se refere ao marido, ele deixa de existir e a mulher começa a parecer uma viúva de vida dupla com marido morto.

Ana Cláudia chama Conrado de marido, deve ser para ele jamais esquecer que já saiu da vida de solteiro e para as amigas saberem que ela é casada e problema das que ainda não casaram, uma psicóloga deve diagnosticar como caso sério de autoafirmação matrimonial. Deve ser daquelas que o único dado preenchido nas redes sociais preenchido é o status casada.

Madame parece legal, meu amigo Anderson chama a mulher dele assim. Não sei como ela se sente, mas eu, só se de vê-lo chamá-la assim, lembrei da propaganda do mordomo que levava o papel higiênico na bandeja para servir a patroa. Esse apelido pode não ser bonito, mas pelo menos da uma sensação de grandeza, deve ser primo primeiro dos possessivos, parece que você é a patroa e que ele está ali para te servir.  

As mulheres parecem ter mais necessidades desses apelidos metidos a românticos, mas que no fundo no fundo são grandes causadores de agressão auricular. Devia ter uma lei em defesa dos conviventes, proibindo a utilização de alguns apelidos e assim, nem que seja de forma indireta deve diminuir os infartos masculinos. Os coitados ouvem tanto alguns apelidos bregas e broxantes que isso aumenta a pressão e contribui para o número de infartantes ser bem mais alto entre homens do que entre as mulheres.


A lei devia decretar que em respeito ao amor auricular, os amantes ficam proibidos de usar apelidos amorosos que não sejam aqueles oriundos da palavra amor: amorzinho, amorzão, amoreco, mô, e qualquer outro que venha desse substantivo e dento das entonações possíveis, afinal somos um país democrático. Sendo punidos com o fim do amor, aqueles que descumprirem a lei supra. 

sábado, 10 de maio de 2014

CANADÁ FICA NA EUROPA?

Eu sou uma dessas pessoas que não consegue reter uma grande quantidade de informações, ma, até que tenho um alto grau de processamento de informação, me viro bem na vida apresentando soluções para as questões práticas do dia-a-dia. E para essa análise não estou conceituando o quociente de inteligência, mas a esperteza que a vida nos exige a cada momento. O problema de ser assim é que de vez em quando passo umas vergonhas horrendas em público e as pessoas acabam me julgando como uma pessoa menos favorecida de inteligência, para não chamar de burra.
Sem pretensões, não me acho uma pessoa burra, mas sou quase uma jumenta em Geografia. Nunca gostei dos estudos dessa área. Acho que se apegam a umas coisas que me levam a usar meus neurônios em prol do nada. Olha só, para que saber calcular fuso horário? Basta você chegar no outro país e perguntar quantas horas são, pronto o problema está resolvido. Não é que esses conhecimentos não sejam importantes, mas é que só deveriam ser aprendidos por quem usa no seu dia a dia.
Essa coisa de separar o planeta em continente para mim é um pensamento ultrapassado e acho que passa até uma certa ideia de bulling. A Europa é linda, rica e poderosa, enquanto a África é pobre e feia, já os orientais são aqueles dos olhos puxadinhos e ninguém sabe dizer se é chinês ou japonês, porque são todos iguais. Ficam rotulando os pedaços de terra sem levar em consideração as particularidades das pessoas que ali moram.
 Isso já era, têm países da Europa que estão quebrados e países da África que estão crescendo, então se faz desnecessário esse tipo de classificação que só serve para envergonhar pessoas como eu que não sacam nada dessas coisas de que país pertence a que pedaço de terra.
Outro dia, estava na agência de turismo olhando uma viagem para Nova Iorque, daí minha amiga que me acompanhava viu um panfleto sobre uma viagem para o Canadá e eu logo desabei a reclamar que não iria para a Europa, que o lugar podia ser lindo, mas não iria mudar o itinerário deixando de visitar países da América para ir para outro continente.
Minha amiga deu um sorriso de canto de boca que para mim foi o suficiente para entender que tinha falado bobeira. A atendente que fazia o orçamento da minha viagem para Nova Iorque me olhou com cara estranha e logo me entregou um papel com valores altíssimos, acho que ela colocou tudo caro só para não obrigar os Estados Unidos a abrigar por 1 semana uma analfabeta geográfica. É claro que quando saí da agência minha amiga desabou a rir da minha cara e ficou me chantageando que eu deveria pagar o lanche dela ou contaria para todos que eu afirmei que o famoso Canadá fica na Europa.
Como se não bastasse essa humilhação a outra situação foi pior ainda. Estávamos em uma mesa de bar quando a conversa passou a ser a viagem de um grupo de professores para a Europa, daí uma pessoa perguntou se a viagem foi para a Inglaterra, eu sabendo da minha condição de conhecimento dos países devia ter ficado calada, mas, não para dizer que sabia tudo da viagem das colegas, gritei alto e em bom som que a viagem foi para Londres. Pronto, foi o motivo da gargalhada da noite, teve até drinque em minha comemoração. Não sabia se eu matava a todos da mesa ou me matava, optei por rir junto com a galera enquanto minha cabeça me convencia que ou eu dou um jeito de aprender geografia ou fico calada nas conversas do tipo.
Tento abrir defesa própria toda vez que passo vergonha. Não sei onde fica, mas me viro muito bem em viagens e acho que isso é o que importa. Viajei, 16 dias para os Estados Unidos. Organizei a viagem, aluguei carro e dirigi 1200 Km entre Orlando e Miami, e isso ninguém me parabeniza  por saber me virar nas situações práticas. Penso que isso seja importante e deixo o cérebro vazio para que o processador mental trabalhe rápido, mas isso não convence a sociedade que continua exigindo que eu saiba em que pedaço de terra fica determinado país.
Acho que nunca vou conseguir aprender essas coisas, ainda mais que o Google me dá tudo pronto para eu organizar as viagens, daí me sobra apenas passar vergonha. E não pense você que eu não entendo porque é sobre países estrangeiros, porque também me perco com as orientações do Brasil.
Vi umas fotos de um lugar bonito e com um nome diferente, então pensei logo que fosse um lugar dos Estados Unidos, mandei o link para uma amiga com quem eu conversava pelas redes sociais sugerindo que fossemos visitar, e, para minha surpresa, quando pesquiso sobre o lugar, descubro que fica em São Paulo. Também viu! Esse povo metido, para que colocar o nome da cidade americanizado, deve ter sido colocado por algum sonhador que nem sabe onde ficam os Estados Unidos!
Estou pensando em redigir um contrato minucioso para que meus amigos assinem. Quem me expor ao ridículo me fazendo perguntas sobre algum tipo de localização ou outras dúvidas geográficas será multado, assim posso viajar mais e aprender a me virar bem em vários tipos de pedaços de terra independente de onde eles estejam.
Se não quiserem assinar vou repensar sobre a amizade e começar a chamá-las de ex. amigas, porque não quero pagar com a mesma moeda e expô-las que entendo das distâncias, sei calcular quanto se gasta de gasolina, procurar os hotéis bem localizados, bons restaurantes, consigo fechar boas viagens com preços baixos, tanto que elas sempre vêm a mim pedindo ajuda, até me chamam de CVL (Comissão de Viagens Luciane).
Pensando agora acho que a melhor pedida será cobrar pelos serviços que sou boa. Daí não perco os amigos que amo, ganho uma grana extra e na mesa de bar, quando tiver desanimado, faço algum comentário geográfico e daí a noite divertida está garantida. 

Luciane Dias
04/2014

sábado, 26 de abril de 2014

HOMEM DE ABSORVENTE

Para vocês entenderem melhor a situação que presenciei outro dia no mercado, vou pedir que imaginem a cena de uma mulher indo a uma loja de pneu de automóveis  para comprar os pneus do carro do seu marido que foram roubados e por isso, não tem como ver as referências para saber que tipo de pneu comprar.
Quem está lendo agora deve imaginar, comprar pneu é muito fácil, basta chegar na loja e pedir os pneus. Mas, não é bem assim, quem já foi comprar sabe que não basta que eles sejam redondos, tem que saber o tamanho, a largura, modelo, se é com câmara ou sem, a carga máxima que o pneu suporta e até data de validade deve se olhar na hora da compra.
A cena seria algo como a senhora encostada no balcão e enquanto espera o atendente, fica olhando todos aqueles pneus e se sentindo surpresa porque até então ela achava que eram todos iguais e começa a se preocupar porque ela não sabe qual deveria comprar.
Quando o atendente pergunta para ela que pneu deseja comprar ela responde alto e em bom som: - Senhor, desejo apenas comprar 5 pneus do tipo redondo para por no meu carro! O atendente com aquele meio sorriso no canto da boca, informa que não é bem assim, que ela precisa saber o aro da roda do carro para saber qual o pneu a ser comprado e quando percebe que ela não vai saber a informação pergunta a ela qual o carro que ela tem.
A senhora orgulhosa por achar que essa resposta ela sabia diz que é um carro Fiat e o atendente já um pouco impaciente pergunta se é um Fiat Uno. A pergunta cai como uma facada no coração da senhora que nervosa grita ao atendente:
- O carro não é meu, é do meu marido, peguei-o emprestado e roubaram os pneus, então só quero outros para poder ir para casa e devolver o carro para meu marido sem que ele reclame e diga que eu só faço besteiras.
Vendo a cena você diria que mulher não entende nada de carro mal sabe dirigir e não poderia ser diferente ela metida em uma oficina. E eu logo te perguntaria, então o que faz um homem metido na sessão de absorventes?! Isso sim, pode ser uma tragédia grega.
O mercado estava vazio e tranquilo e eu passeava pelos corredores, me surpreendi quando entrei na sessão de higiene e vi um homem comprando um absorvente. Na verdade nem posso dizer que ele estava comprando um, acho que ele acabaria por comprar todos ou pelo menos um de cada. Ao seu lado tinha um carrinho daqueles enormes com pouquíssimas coisas já escolhidas e ele olhava para a prateleira dos absorventes íntimos.
Olhei a cena e achei que aquilo merecia muito mais da minha atenção do que os papéis higiênicos que buscava por ali, então resolvi ficar apreciando aquele momento aterrorizador que aquele jovem homem passava.
Ele pegava um pacote de absorvente íntimo e olhava por completo, lia de um lado depois do outro, apertava um pouquinho e depois colocava de novo na prateleira e partia em busca de outro pacote. A situação era pior do que comprar pneu sem entender nada de carro. Porque pelo menos mulher dirige o carro que é conduzido pelos pneus, mas homem jamais vai usar absorvente, então aquele lance de abas ou sem abas, noturno ou diurno, com cheiro ou sem, não fazia o menor sentido para ele.
Comecei a andar vagarosamente em direção a ele e meu coração ansiava por ajudá-lo porque, já imaginava a mulher dele fazendo uma guerra de pacotes de absorventes caso ele resolvesse levar o carrinho do mercado lotado de absorventes com um tipo de cada modelo e marca. Mas, pensei que era melhor não, porque ele poderia se constranger e esquecer o mínimo de informação que ainda lembrava sobre qual escolher, é, porque imagino que a mulher que usaria deu a ele alguma orientação, porque se não fez isso seria a maior das maldades contra um marido que se arriscava a comprar algo do mundo feminino.
Acho que aquele homem nunca tinha visto um absorvente antes, pelo menos não ao vivo e a cores, ou melhor na cor rubra que era a cara dele agora tentando adivinhar qual daqueles pacotinhos guardava o segredo de sua paz ao chegar em casa e talvez uma bela noite de amor por ele ter acertado na encomenda.
As produtoras deviam tomar providências quanto aos absorventes íntimos, tipo escrever em letras garrafais nos pacotinhos: MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: NÃO MANDE HOMEM COMPRAR ABSORVENTES, ISSO PODE ACABAR COM SEU CASAMENTO OU LEVAR SEU MARIDO A INFARTAR POR EXCESSO DE TENSÃO.
O gesto daquele homem poderia significar chegar em casa e de repente ter que fazer uso dos 78 tipos de pacotinhos comprados, ganhando assim uma bela assadura por usar absorvente por 60 dias ininterruptos. Punição por comprar o produto errado. O melhor de tudo seria ele explicar para os colegas de trabalho porque estava andando de pernas abertas ou sentando esquisito, será que ele teria coragem de contar a verdade?!!!
Uma boa vingança seria colocá-lo para colar todos os absorventes em seu corpo e escrever com batom em cada um deles: - quando minha esposa falar algo para eu comprar vou prestar atenção em todas as dicas que ela der para não comprar errado. Uma foto dessa situação iria bombar nas redes sociais e poderia ser um dos vídeos mais assistidos com ele tentando escrever nos absorventes colados no corpo todo e só os olhinhos de medo da mulher aparecendo. Se fosse meu marido eu gravaria a cena para relembrá-lo sempre do fato, porque homem tem memória curta.
A cena se demorava por demais e eu não podia ficar ali parada olhando, então continuei a caminhar pelo supermercado com o coração partido porque não ajudei aquele moço esforçado a salvar seu casamento e diminuir a cara de terror que o assombrava.
 Tentei olhar bem para o rosto dele na expectativa de encontrá-lo pelo mercado brevemente e daí saberia o resultado, se tivesse de cara boa e andando normalmente seria sinal que ele acertou na escolha mas, se de repente o visse andando meio esculhambado e com as pernas abertas era sinal que teve que usa r os pacotinhos de absorventes comprados errados.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

BELEZA MENOS FAVORECIDA

Ser feio não é fácil e o pior de tudo é que tentar ficar bonita é um trabalho árduo e caro. Eu não sou uma pessoa horrorosa, apenas sou menos favorecida em questão de beleza. Parece chique falando assim! Como nasci nessa condição, às vezes, é preciso tentar melhorar o aspecto e de repente ser classificada como bonitinha.
Nessa tentativa, de vez em quando passo alguns apuros. Outro dia, enquanto escovava o cabelo, após fazer um alisamento capilar, a cabeleireira deu um grito – logo pensei que o cabelo estava caindo, me veio um desespero, porque se fico careca saio da condição de menos favorecida em beleza para pessoa assustadora e isso pode tirar de mim a vontade que tenho de me olhar no espelho pelo menos 1 vez por semestre, sem que ele se quebre. Mas, na verdade, era apenas um cabelo branco, claro que foi um alívio. Idosa pode até ser porque mando pintar o cabelo, mas sem cabelo é a “treva”.
Só de pensar em perder os cabelos, mesmo eles não sendo meu charme, perco o sono. Imagina, eu jogando tênis e na hora que vou sacar a peruca voa e ao invés de bater na bolinha dou uma raquetada nas madeixas postiças, ou mesmo na hora de dar uma cabeçada na bola, durante o joguinho entre amigos do futebol, a peruca vai junto com a bola para o gol, isso seria mais engraçado do que qualquer piada já contada, mas só para os outros.
Dizem que os feios com um pouco de dinheiro conseguem sair do status de feiura para o patamar de beleza, então mensalmente guardo um pouco do salário para os tais produtos de beleza. Produtos esses que vão se somando, sendo cada um para uma parte do corpo e para determinada ocasião e esse excesso de cuidados pode causar enormes confusões.
Outro dia eu ia a uma concessionária e para não ser confundida com o flanelinha que cuida dos carros e ser enxotada da loja, procurei não ir aos molambos. Na hora do banho acabei confundindo os produtos, passei o sabonete íntimo no rosto e o gel facial nas partes íntimas, o susto foi quando a ardência do gel facial se deu nas partes baixas. A sorte é que nenhum dos produtos tinha efeitos colaterais.
Não bastante, dias depois, o acontecido foi pior. Quando vamos viajar procuramos dar um “tapa na feiura” e comigo não é diferente. Um dia antes de viajar fui depilar o buço, mas acabei puxando o papel da depilação com cera errado e quase arranquei a pele fora. Acabei trocando os pelos por uma queimadura e durante a viagem foi criando uma pereba e deixando claro a todos que eu tenho bigode. Quase não consigo descansar na viagem porque a feiura me pesava no rosto.
Fazer a unha é outra coisa que ao invés de me deixar mais bela me deixa uma fera. Não tenho costume de arrumá-las em manicure, eu mesma dou um jeitinho, mas quando tem uma comemoração especial prefiro ir a uma profissional. O problema é que na maioria das vezes, meus dedos próximos as cutículas descascam, daí fico envergonhada e agindo como jeca escondendo os dedos o tempo todo.
Parece que todo investimento que faço em beleza consigo um grau novo de feiura, é como remar contra a maré, você tenta mudar, mas vem a natureza das coisas e diz que você é isso e nada mudará o que é natural.
Comecei a pensar que talvez a solução esteja em ser consultada com um psicólogo, deve ser um investimento mais barato, menos arriscado ao meu estado menos favorecido de beleza e ainda posso falar com ela para que me ajude a aceitar que os feios também se amam e são felizes.


Luciane Dias
fev/ 2014

sábado, 21 de dezembro de 2013

O QUE A ESCOLA ENSINA


É engraçado como a escola valoriza uns negócios sem sentido. Ano passado vi na escola que trabalho alguns alunos serem reprovados porque não aprenderam a calcular massa atômica, mas nunca descobri para que isso serve em nossa vida. Daí, fico pensando que ensinamos aos alunos um monte de conteúdos insignificantes para a vida prática, que esses conteúdos não demonstram quem é bom, mas quem tem mais facilidade de aprender o que não se precisa saber.

Dizem que o aluno nas séries iniciais e finais deve aprender o que é significativo para ele, mas desde quando o relevo da europa, os meridianos, as orações coordenadas adversativas ou a função de um número é significativo para alguém de 13 anos?!

Penso que boa parte do que se aborda em salas de aula só serve para estressar alunos e professores. Não me lembro de momento algum em minha vida em que precisei saber a raiz quadrada de um número, também não precisei saber nada de fuso horário nas viagens ao exterior, tão pouco como são formados os vírus quando o que interessava era o remédio capaz de acabar com minhas dores.

Sei que isso tudo é necessário para que a vida no planeta terra continue existindo, mas tem coisas que só deviam ser estudadas quando necessário para se especializar em alguma área do conhecimento, aí sim, seria significativo.

Estudei na faculdade de Direito por cinco anos e pouco usei dos conteúdos aprendidos nas escolas primárias. Li, escrevi e interpretei enquanto percebia que muitos dos colegas universitários tinham dificuldade exatamente nessas habilidades. Ri muitas vezes dos que se perdiam nos X, V e L dos números romanos, se não me falha a memória acho que foi a única coisa da temível matemática que precisei no curso superior.

Com relação à história e geografia nada de clima, relevo, guerras ou coisas parecidas, porque sob a visão jurídica todas as histórias são recontadas, tudo com um novo início e novo fim, até mesmo o conto de fadas da Cinderela.

Nas dificuldades do curso por diversas vezes pensei em dar carteirada nos professores, esfregar na cara deles meus boletins cheio de menções honrosas com notas 10, mas como isso me punha em risco por desacatar autoridades do saber capazes de aí fazerem valer cobrar o saber, processando-me em esferas cíveis que seriam capazes de me tirar belos meses de salário e isso seria aprender o conteúdo da escola na prática.

A verdade é que a história do que é significativo pode levar uma pessoa a ter que cursar a mesma matéria por diversas vezes, pois se o professor explica algo e isso te remete a outro caminho muito além do que o professor aborda ou mesmo te abre outros assuntos que você resolve já ir devaneando para sua tese final de curso, você pode perder o ponto que o professor julga importante para a prova e aí desfrutar a companhia dele por mais um semestre repetindo os mesmos assuntos e agora pelo menos fica fácil saber quais ideias ele pondera para dar uma nota ao aprendizado que ele julga importante para mim.

A verdade é que a faculdade me cobrou muito mais do que a escola tinha me ensinando; Me perdi no trânsito da cidade procurando os TRT, TSE, TJ e tantos outros órgãos públicos o que me remeteu ao conteúdo da 3ª série que estuda sobre o DF, mas ninguém nunca me ensinou sobre como me locomover no lugar onde moro; Escrevi em um único semestre mais textos do que a somatória de uns 10 anos de escola primária, boa parte se deu porque descobri que não sabia escrever ideias, ao menos sabia pensar, apenas tinham me ensinado a decorar papeis com palavras ensaiadas.

Mas, a escola é isso né?! 100% importante quando você vai usar aproximadamente 15% do que te ensinaram, mas dará base para criarmos novos paralelos, coordenar objetivos, traçar retas, descobrir novos pontos, vencer os altos e baixos dos terrenos acidentados do mundo.

Ainda bem que além da escola inventaram os estágios e a vida prática profissional, porque aí podemos usar os 15% que aprendemos na escola para aprender os 85% que ficou em dívida e que corresponde ao que realmente é significativo.

Quando assinei a ata de aprovação na Ordem nos advogados, a famosa OAB, entrei em pânico... será que alguém podia me ensinar como advogar, porque isso não aprendi, acho que ficou nos 85% que a escola chama de significativo, mas esquece de ensinar.

Com frio na barriga, dei partida no carro e saí pensando no que deveria fazer agora, se me matricular em outro escola ou ser auto-ditada no conhecimento prático exigido pela vida! Pelo menos a escola me deu uma boa base para aprender o resto que é necessário e significativo.